Brigadeiro António Ribeiro Cardoso considera modernização das FAA essencial à defesa da soberania nacional
O Brigadeiro Piloto-Aviador de Caças António Ribeiro Cardoso considerou, esta sexta-feira, em Moscovo, que a modernização das Forças Armadas Angolanas (FAA), a valorização do capital humano e o reforço da autonomia estratégica constituem factores essenciais para a defesa da soberania e a preservação da Independência Nacional de Angola no século XXI.
A posição foi defendida durante uma palestra subordinada ao tema «Os Desafios da Defesa no Século XXI: Modernização das FAA e a Preservação da Independência Nacional», realizada na Embaixada da República de Angola na Federação da Rússia, no âmbito das comemorações do 51.º aniversário da Independência Nacional, que se assinala a 11 de Novembro.
A iniciativa contou com a presença do Embaixador de Angola na Federação da Rússia, Augusto da Silva Cunha, de funcionários diplomáticos, oficiais superiores e capitães das Forças Armadas Angolanas, bem como de membros da comunidade angolana residente em Moscovo.
Na sua intervenção, o Brigadeiro António Ribeiro Cardoso defendeu que a Independência Nacional, proclamada a 11 de Novembro de 1975, não deve ser encarada apenas como uma conquista histórica, mas também como uma responsabilidade permanente das gerações presentes e futuras, na defesa da soberania, da integridade territorial e da capacidade de Angola decidir livremente o seu próprio destino.
Ao abordar o percurso histórico da luta de libertação nacional, o prelector destacou os sacrifícios do povo angolano na conquista da independência, os desafios enfrentados pelo Estado no período pós-independência e a importância da paz alcançada em 2002, como condição indispensável para a reconciliação, reconstrução nacional e o desenvolvimento.
Relativamente aos desafios da defesa no século XXI, chamou a atenção para a transformação da natureza dos conflitos contemporâneos, caracterizados pelo surgimento de ameaças híbridas, ataques cibernéticos, desinformação, utilização da inteligência artificial, drones, terrorismo, criminalidade organizada transnacional e vulnerabilidades tecnológicas e logísticas.
Neste contexto, salientou que a defesa nacional exige uma abordagem integrada, que ultrapasse a dimensão estritamente militar e envolva as instituições do Estado, o sector económico, as universidades, os centros de investigação e a sociedade em geral.
Sobre a modernização das Forças Armadas Angolanas, o Brigadeiro sublinhou que este processo não se limita à aquisição de equipamentos modernos, devendo contemplar igualmente a formação e valorização dos efectivos, a actualização doutrinária, o treino, a liderança, a manutenção, a logística, as comunicações e o desenvolvimento de capacidades tecnológicas nacionais.
Salientou, igualmente, que a verdadeira capacidade militar de um país não se mede apenas pela quantidade de meios disponíveis, mas sobretudo pela sua operacionalidade, sustentabilidade e capacidade de resposta perante os diferentes desafios de segurança.
O oficial destacou ainda que o reforço da autonomia estratégica de Angola passa pelo investimento na formação de quadros nacionais, na capacidade de manutenção dos equipamentos e na diversificação das parcerias internacionais de modo a reduzir dependências externas que possam comprometer o funcionamento de capacidades essenciais à defesa nacional.
A propósito do papel da educação e da diáspora, o Brigadeiro dedicou particular atenção aos estudantes angolanos que frequentam instituições de ensino superior no estrangeiro, nomeadamente na Rússia, incentivando-os a transformar os conhecimentos e as experiências adquiridos em contributos concretos para o desenvolvimento científico, tecnológico, económico e institucional de Angola.
Na sua perspectiva, o conhecimento constitui um recurso estratégico fundamental para a soberania contemporânea, sendo a formação de quadros qualificados determinante para reforçar a capacidade nacional de inovação, decisão e resposta aos desafios do desenvolvimento.
O Brigadeiro António Ribeiro Cardoso concluiu que a preservação da Independência Nacional exige Forças Armadas profissionais, modernas, disciplinadas e sustentáveis, instituições públicas competentes, uma economia diversificada e cidadãos conscientes das suas responsabilidades perante a Nação.
Sublinhou, por fim, que a independência conquistada em 1975 deve continuar a ser consolidada através da paz, do conhecimento, do desenvolvimento e da capacidade colectiva de proteger os interesses nacionais.
«Conquistar a Independência foi uma missão histórica; preservá-la e dar-lhe conteúdo através do desenvolvimento é a missão das gerações presentes e futuras», afirmou, ao encerrar a sua intervenção.
Sobre o palestrante
O Brigadeiro Piloto-Aviador de Caças António Ribeiro Cardoso é licenciado em Contabilidade e Gestão.
Actualmente, exerce as funções de Inspector-Adjunto da Força Aérea Nacional e de Chefe da Comunidade dos Estudantes Militares Angolanos na Federação da Rússia.










