MINSA e Banco Mundial avaliam resultados da formação de profissionais e discutem novos investimentos na saúde
Angola apresenta avanços na qualificação de recursos humanos, com destaque para 399 médicos de família certificados, 3.954 profissionais de enfermagem abrangidos por especializações e cerca de 700 profissionais regressados do exterior
O Ministério da Saúde e o Banco Mundial analisaram, na sexta-feira, 6 de Novembro de 2026, os resultados dos investimentos na formação de recursos humanos e as perspectivas de financiamento de novas iniciativas para o desenvolvimento do sector da saúde em Angola.
A reunião de alto nível, realizada nas novas instalações do Ministério da Saúde, em Luanda, foi presidida por Sua Excelência Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, que chefiou a delegação angolana.
Pelo Banco Mundial participaram Dr. Albert Zeufack, Director de Divisão; Roland Yameogo, Representante Residente para Angola e São Tomé e Príncipe; e Ronald Mutasa, Gerente da Prática de Saúde, Nutrição e População para a África Oriental e Austral, que acompanhou os trabalhos por videoconferência.
A delegação angolana integrou igualmente os directores nacionais e outros responsáveis do Ministério da Saúde, bem como o Coordenador do PFRHS. Estiveram ainda presentes representantes das equipas técnicas das áreas de Saúde e Operações do Banco Mundial.
A agenda contemplou a avaliação da carteira de projectos de saúde apoiados pelo Banco Mundial, os resultados do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde em Angola (PFRHS), a preparação do País perante eventuais ameaças sanitárias, incluindo o Ébola, e as perspectivas de uma nova operação de financiamento dos Cuidados Primários de Saúde, com possível apoio do Global Financing Facility (GFF).
Um dos principais destaques do encontro foi a apresentação dos resultados do PFRHS, financiado pelo Banco Mundial, que estabelece como meta a formação de 38 mil profissionais até 2028.
Segundo os dados apresentados, o projecto ultrapassou as metas preconizados para o período, registando avanços na qualificação de diferentes categorias profissionais.
Entre os resultados destaca-se o regresso ao País de cerca de 700 profissionais que concluíram formações no exterior, com uma taxa de absorção indicada de 100%, reflectindo a sua integração nas respectivas estruturas e unidades de saúde.
Na formação médica, foram destacados 399 médicos de família especializados e certificados, actualmente em exercício nas comunidades, contribuindo para aproximar os cuidados de saúde das populações.
Na área da enfermagem, foram introduzidos dez cursos de especialização inéditos no País, abrangendo 3.954 profissionais, dos quais cerca de 700 enfermeiros de saúde comunitária.
O programa contempla igualmente médicos, técnicos de diagnóstico e terapêutica e profissionais do regime geral ligados ao apoio hospitalar.
As acções formativas decorrem nas 21 províncias, através de 12 polos funcionais, que permitem desenvolver modalidades presenciais e de ensino à distância.
No plano financeiro, foram apresentados desembolsos acumulados de aproximadamente 103 milhões de dólares, destinados, entre outras componentes, à formação e ao financiamento de bolsas de estudo em Angola e no exterior.
O fortalecimento dos Cuidados Primários de Saúde constituiu outro eixo central da reunião, considerando o crescimento populacional, a urbanização e a necessidade de expandir a rede sanitária, sobretudo nas comunidades mais distantes dos centros urbanos, com destaque para o “corredor do Lobito”.
Neste contexto, foram discutidas prioridades relacionadas com a construção e reabilitação de infra-estruturas, o apetrechamento das unidades sanitárias, a disponibilidade de medicamentos, vacinas, insumos nutricionais e outros produtos essenciais, bem como a expansão da telemedicina.
A mobilização de recursos adicionais para o sector também esteve em análise, tendo em conta os desafios orçamentais e as perspectivas económicas para 2027.
Entre as possibilidades discutidas constam o recurso a mecanismos internacionais de financiamento, nomeadamente o Global Financing Facility (GFF), e a preparação de uma eventual nova operação de apoio aos Cuidados Primários de Saúde, alinhada com as prioridades do Ministério da Saúde.
A preparação do País perante eventuais ameaças de saúde pública, incluindo o Ébola, integrou igualmente a agenda de trabalho.
Durante a reunião, foram abordadas experiências da República Democrática do Congo, as prioridades nacionais de preparação e as possíveis áreas de apoio técnico e institucional do Banco Mundial.
As discussões incidiram sobre a importância da vigilância epidemiológica, da capacidade laboratorial e da prontidão dos profissionais e das unidades sanitárias para responder a emergências, assegurando a continuidade dos serviços essenciais.
Na ocasião, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, reiterou a importância de assegurar uma gestão responsável e eficiente dos recursos disponibilizados ao sector.
A governante salientou que os investimentos devem ser avaliados não apenas pelo volume de recursos mobilizados ou pelo número de actividades executadas, mas sobretudo pelos resultados concretos na vida das populações e na qualidade dos cuidados prestados.
A formação de profissionais, a expansão dos cuidados primários, a melhoria das infra-estruturas e o acesso aos serviços essenciais continuam a integrar as prioridades estratégicas do Ministério da Saúde.
O encontro permitiu aprofundar o diálogo entre o Governo de Angola e o Banco Mundial sobre os resultados alcançados e as oportunidades de cooperação para responder aos desafios actuais e futuros do sector.
FONTE: GTICI – Ministério da Saúde, Luanda, 7 de Novembro de 2026












