7 de November, 2026
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Engenheiro Adelino Bimba em compromisso com a formação de angolanos em França

Há mais de 15 anos a viver em França, o engenheiro angolano Adelino Bimba construiu uma trajectória profissional ligada à indústria, especializando-se nas áreas de higiene, segurança e ambiente, sem nunca perder de vista a ligação com Angola.

Natural do Lobito, província de Benguela, Adelino Bimba realizou o ensino médio no Instituto Médio Politécnico do Lobito, antes de deixar Angola, aos 22 anos, beneficiando de uma bolsa de estudos atribuída pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), em cooperação com o Governo francês.

Em 2011, iniciou a licenciatura em Engenharia Química na Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, formação que concluiu em 2014.

Dois anos depois, terminou o mestrado na área de Engenharia da Qualidade, Higiene, Segurança e Ambiente, em Lyon.

A formação académica abriu caminho para uma carreira de mais de uma década em diferentes sectores da indústria francesa, onde tem exercido funções como consultor e engenheiro nas áreas de higiene, segurança e ambiente.

Uma carreira construída na indústria

A opção pela indústria está directamente relacionada com a possibilidade de conciliar diferentes áreas de conhecimento adquiridas ao longo da sua formação.

Segundo Adelino Bimba, a Engenharia Química, a engenharia de processos e a gestão de riscos permitem conciliar, por um lado, conhecimentos sobre processos de produção e, por outro, técnicas de gestão de riscos contra acidentes, protegendo, assim, os trabalhadores e assegurando a protecção do meio ambiente.

Ao longo da carreira, passou por diferentes sectores, entre os quais as indústrias mecânica, química, farmacêutica, metalúrgica e de fabrico de componentes para a indústria aeronáutica.

O modelo de trabalho como consultor permitiu-lhe conhecer diferentes realidades industriais e lidar com riscos específicos de cada sector.

“Um consultor é levado a prestar serviços em diferentes clientes”, explica, sublinhando que essa dinâmica lhe permite estar permanentemente a aprender e a aprofundar os conhecimentos numa área particularmente abrangente.

Para o engenheiro angolano, a higiene, segurança e ambiente constituem áreas tão vastas que dificilmente um profissional consegue dominar todos os seus aspectos ao longo de uma única carreira.

A responsabilidade de prevenir acidentes

Nos últimos anos, uma parte importante da actividade de Adelino Bimba tem estado ligada à indústria farmacêutica, nomeadamente a projectos de expansão da produção de medicamentos.

Neste contexto, tem desempenhado funções de coordenação de segurança, acompanhando projectos que envolvem a construção e adaptação de instalações, aquisição e instalação de equipamentos e contratação de trabalhadores.

Uma das principais responsabilidades passa pela gestão dos chamados riscos de coactividade, que surgem quando várias empresas e equipas desenvolvem simultaneamente diferentes trabalhos num mesmo espaço.

Num único local podem estar, por exemplo, trabalhadores das áreas de electricidade, mecânica, montagem de equipamentos e construção, entre outras especialidades.

Considera ser importante garantir que as empresas intervenham em fases compatíveis e que as actividades realizadas numa mesma zona também sejam compatíveis.

Quando existe incompatibilidade entre trabalhos, cabe ao coordenador de segurança alertar a direcção do projecto e recomendar que determinada actividade seja antecipada, adiada ou mesmo suspensa.

Trata-se de uma função que exige elevado sentido de responsabilidade, sobretudo em grandes projectos industriais, onde um atraso pode representar custos financeiros significativos.

Gestão de riscos de explosão

Entre as experiências profissionais que marcaram a carreira do engenheiro angolano está também a intervenção em situações relacionadas com riscos tecnológicos de elevada gravidade, nomeadamente o risco de explosão.

Em determinado projecto, foi chamado a participar na análise das causas de um acidente industrial grave que provocou uma explosão e várias vítimas mortais.

O trabalho passou pela análise das instalações, dos produtos existentes, dos equipamentos utilizados e do cumprimento das normas de segurança, com o objectivo de identificar as causas do acidente e definir medidas destinadas a impedir a repetição de situações semelhantes.

Para Adelino Bimba, este tipo de intervenção demonstra a enorme responsabilidade associada à profissão.

Uma falha numa análise de segurança pode ter consequências humanas, ambientais e económicas, podendo resultar em perda de vidas, desemprego, poluição e elevados prejuízos para as empresas e comunidades envolvidas.

A formação dos trabalhadores constitui igualmente uma das suas responsabilidades.

O objectivo é garantir que os profissionais conheçam os riscos associados às suas funções e adoptem comportamentos e métodos de trabalho que permitam conciliar produtividade e segurança.

Da indústria mecânica à farmacêutica

A diversidade dos sectores em que trabalhou permitiu-lhe lidar com diferentes tipos de riscos.

Enquanto algumas indústrias apresentam maior exposição a riscos químicos, outras estão mais associadas a riscos eléctricos, mecânicos, térmicos ou biológicos, além de situações como quedas em altura.

É precisamente esta diversidade que, segundo o engenheiro, torna fundamental uma formação abrangente para os profissionais de higiene e segurança.

“Um bom engenheiro de higiene e segurança no trabalho é aquele que é capaz de ter conhecimento sobre todas essas áreas”, defende.

Nos últimos quatro anos, a sua actividade esteve particularmente ligada a uma das grandes empresas mundiais do sector da produção de insulina, num contexto de expansão da capacidade de produção de medicamentos destinados, entre outros fins, ao tratamento da diabetes e da obesidade.

O aumento da procura destes medicamentos tem levado à implementação de novos projectos industriais, criando a necessidade de reforçar equipas, equipamentos e instalações.

Neste cenário, Adelino Bimba participa no acompanhamento das equipas responsáveis pela execução dos projectos, assegurando que o crescimento da produção acontece respeitando as exigências de segurança.

O regresso a Angola através da educação

Apesar da consolidação da carreira em França, Adelino Bimba mantém uma ligação permanente a Angola.

Desde 2020, participa no projecto da Associação dos Quadros da Diáspora para o Apoio à Formação dos Angolanos (AQDAFA), uma organização sem fins lucrativos sediada em França e constituída por quadros angolanos espalhados por diferentes países.

A iniciativa tem como principal foco contribuir para o desenvolvimento de Angola através da educação.

Entre as acções desenvolvidas pela associação está a criação e gestão de uma escola comunitária localizada no Cazenga, em Luanda, que tem permitido apoiar anualmente cerca de 300 crianças que se encontram fora do sistema de ensino.

Segundo Adelino Bimba, a organização disponibiliza cerca de quatro milhões de kwanzas por ano para este trabalho, representando mais de 20 milhões de kwanzas aplicados ao longo dos últimos seis anos.

A aposta passa por proporcionar às crianças conhecimentos básicos de leitura, escrita e matemática, criando condições para que possam prosseguir a sua formação e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento das suas comunidades.

Para o engenheiro, o trabalho da diáspora deve ser encarado como uma parceria com Angola e não apenas como uma acção isolada.

Quadros da diáspora ao serviço dos estudantes

A intervenção da AQDAFA não se limita ao apoio às crianças fora do sistema de ensino.

Os membros da associação também se disponibilizam para apoiar estudantes universitários angolanos, sobretudo aqueles que necessitam de orientação técnica para trabalhos de investigação e monografias.

Adelino Bimba considera fundamental aproximar os estudantes dos profissionais que já trabalham nas respectivas áreas.

Na sua perspectiva, a formação de um engenheiro, por exemplo, não deve depender exclusivamente do conhecimento adquirido nas instituições de ensino.

A experiência dos profissionais que trabalham diariamente nas empresas pode oferecer aos estudantes uma visão prática das suas futuras profissões.

A AQDAFA conta actualmente com mais de 200 membros espalhados por diferentes partes do mundo, sendo que perto de metade se encontra em Angola.

Para Adelino Bimba, a ligação entre os quadros que estão no país e aqueles que vivem no exterior é essencial para garantir maior eficácia aos projectos.

Uma ponte entre a diáspora e Angola

Além do trabalho na área da formação, Adelino Bimba desempenha também funções de ligação entre associações angolanas existentes em diferentes regiões de França e as autoridades diplomáticas angolanas naquele país.

A sua actuação procura facilitar o diálogo com o Consulado e a Embaixada de Angola em França, dependendo da natureza dos assuntos apresentados pelas comunidades.

A experiência acumulada ao longo dos anos reforçou nele a convicção de que a diáspora pode desempenhar um papel mais activo no desenvolvimento nacional.

Aos jovens angolanos que procuram formação e uma inserção mais rápida no mercado de trabalho, Adelino Bimba aconselha uma aposta em áreas profissionais abrangentes.

A própria trajectória é apresentada como exemplo dessa evolução. Embora tenha realizado o sonho de infância de se formar em Engenharia Química, a experiência profissional levou-o posteriormente a aprofundar a formação em higiene, segurança e ambiente.

Na sua opinião, esta especialização permite trabalhar em diferentes sectores, desde a indústria aos hospitais, uma vez que os riscos profissionais estão presentes em praticamente todas as áreas de actividade.

Aos angolanos residentes no exterior, deixa igualmente um apelo à união e à criação de iniciativas que possam produzir impacto positivo no país.

Para o engenheiro, a diáspora não precisa necessariamente de estar reunida numa única associação ou plataforma, mas deve encontrar formas de colocar competências, conhecimentos e recursos ao serviço de Angola.

Considera importante que os jovens comecem a pensar em investir no seu país, Angola.

Saúde, empregabilidade, investigação, educação e empreendedorismo são, na sua perspectiva, alguns dos sectores que podem beneficiar de uma maior intervenção dos angolanos residentes no exterior.

Um apelo ao Estado

Aos decisores angolanos, Adelino Bimba pede uma maior valorização da diáspora enquanto parceira do desenvolvimento nacional.

Defende a criação de mecanismos que facilitem o investimento dos angolanos residentes no exterior, nomeadamente através de maior facilidade no acesso à habitação, terrenos e espaços destinados à implementação de negócios.

Na sua visão, muitos dos recursos financeiros enviados actualmente para Angola de forma dispersa poderiam ser canalizados de maneira mais organizada caso existissem mecanismos que aproximassem o Estado e a diáspora.

Mas o contributo não se resume ao investimento financeiro.

O engenheiro acredita que Angola pode igualmente beneficiar do conhecimento de profissionais altamente qualificados que trabalham em diferentes países e em sectores estratégicos.

“Está mais do que na hora de começarmos a olhar a nossa diáspora como uma força viva do nosso país e um elemento que pode ser visto como um parceiro para resolver problemas directamente no país”, afirma.

Para Adelino Bimba, a distância geográfica não elimina a ligação dos angolanos à sua terra.

Os familiares, amigos e as memórias permanecem em Angola e, por isso, considera que a diáspora tem não apenas vontade, mas também responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento de Angola.

Da Engenharia Química à segurança industrial, passando pelo apoio à educação de crianças e estudantes angolanos, a trajectória de Adelino Bimba representa, assim, uma experiência profissional construída em França, mas com os olhos permanentemente voltados para Angola.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)