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Tadisi Nsangu Baruch: um angolano em destaque no panorama cinematográfico lusófono (com vídeo)

Tadisi Nsangu Baruch é um nome que começa a destacar-se no panorama cinematográfico lusófono, ao levar a cultura do seu país ao mundo.

Natural de Cazenga, província de Luanda, Tadisi Nsangu Baruch, nasceu a 14 de Outubro de 1984.

Licenciado em Cinema e Televisão pela Universidade Metropolitana de Angola e mestre em Técnica Audiovisual e Realização Cinematográfica pela EICAR – Escola Internacional de Cinema e Realização de Paris, Tadisi é um apaixonado pela arte e pela imagem.

A veia artística revelou-se cedo, porquanto desde criança diz gostar de contar histórias aos seus amigos.

“As minhas histórias tinham sempre suspense, nunca acabavam no mesmo dia”, recorda.

Essa paixão, aliada à curiosidade pela tecnologia e pela edição de vídeo, levou-o a transformar um simples passatempo num percurso profissional sólido.

Durante nove anos, trabalhou em Angola como responsável técnico audiovisual, primeiro na produtora Arte Image da revista Figuras e Negócios (2009–2015) e mais tarde no Clube 1.º de Agosto, onde chefiou o Gabinete de Comunicação e Imagem (2015–2018).

Em 2018, partiu para França com um propósito académico, visando aproveitar uma oportunidade oferecida pelo General Carlos Hendrick, que acreditou na formação dos quadros nacionais, explica.

A decisão levou-o a Paris, onde completou o mestrado e se estabeleceu profissionalmente como técnico audiovisual numa grande instituição pública francesa.

“Por Jade”: um retrato do choque de culturas

O filme que catapultou Tadisi para o reconhecimento internacional chama-se “Por Jade” e aborda um tema sensível e actual: o choque de culturas.

A obra narra a história de Suzana, uma jovem angolana que se apaixona por um maliano e descobre, já casada, que é a quarta esposa do marido — um duro confronto entre o amor e as tradições.

“Não estou contra casamentos com estrangeiros”, explica o realizador, “mas é importante conhecer a cultura do outro antes de se entrar num compromisso tão sério.”

O filme tem sido amplamente aclamado e percorreu vários festivais internacionais, conquistando prémios importantes em Angola, na Grécia e em Portugal.

Em 2023, “Por Jade” venceu dois prémios no Unitel Angola Move — Melhor Actor e Melhor Longa-Metragem — e arrecadou distinções em festivais como o Musas Film Awards (Grécia) e o Indie Lisboa.

Laços com os PALOP e a Diáspora

A presença de Tadisi nos festivais tem-lhe permitido criar uma rede sólida com cineastas de países lusófonos.

“Sempre que encontro alguém que fala português — de Moçambique, Cabo Verde, Portugal ou Brasil — sinto-me em casa. Temos feito muitas trocas de experiências”, conta.

A colaboração entre artistas dos PALOP é, para si, uma força essencial para a promoção do cinema africano, considerando essa arte “uma forma de diplomacia cultural, porquanto somos embaixadores da cultura angolana”.

No âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência de Angola, Tadisi deve apresentar, a 13 de Novembro, uma exibição especial do filme Por Jade em Lisboa, no Cinema City Campo Pequeno, com o apoio da Embaixada de Angola em Portugal.

Uma carreira em ascensão e novos projectos

Apesar do sucesso, o realizador afirma que a sua caminhada “ainda está a começar”.

O próximo grande desafio é a continuação da história que o consagrou.

Em função do pedido do público, afirma estarem a preparar ‘Por Jade 2’, que vai explorar o choque entre três culturas, o que poderá ser ainda mais emocionante, revela.

Além disso, Tadisi continua a representar Angola em projeções e festivais internacionais, levando o nome do país a várias plateias europeias.

Entre França e Angola: a ponte da cultura

Casado e pai de quatro filhos, Tadisi vive com a família em França, onde diz ter encontrado uma boa integração.

Afirma que a formação em Angola ajudou-lhe muito, porque o que aprendeu na Universidade Metropolitana permitiu-lhe ser admitido no mestrado em Paris, o que mostra que “o ensino angolano tem qualidade”, afirma com orgulho.

Mesmo longe, mantém laços fortes com a comunidade angolana.

Participa regularmente em encontros e fóruns organizados pela Embaixada de Angola em França, onde se discutem formas de aplicar o conhecimento adquirido no estrangeiro ao desenvolvimento do país.

Um olhar sobre Angola e o futuro

Tadisi acompanha atentamente o que acontece no seu país natal, sobretudo na área da cultura e do cinema.

Reafirma o país estar num bom caminho, fundamentando que “o cinema angolano começa a falar mais alto a nível internacional”, diz confiante.

O regresso a Angola é, para ele, uma certeza: “Não há lugar no mundo melhor do que o nosso país. Mesmo com dificuldades, é em Angola que me sinto verdadeiramente em casa.”

Com o olhar no futuro, o realizador acredita que o cinema pode ser uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento nacional.

O que faço, salientou, ajuda a vender uma imagem positiva de Angola no mundo.

O cinema leva a história de Angola, a sua cultura e o turismo além-fronteiras.

Tadisi Nsangu Baruch de coração aberto ao seu povo: “Apoiem o cinema angolano. Valorizem os nossos artistas. Vamos voltar a encher as salas para ver filmes feitos por nós e sobre nós. O cinema é a nossa voz e a nossa identidade.”

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