Representante Permanente de Angola na ONU destaca progressos alcançados na assistência humanitária
O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Embaixador Francisco José da Cruz, destacou nesta quinta-feira, 15, na sede da ONU, em Nova Iorque, os progressos alcançados na assistência humanitária, nas operações de manutenção da paz e nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
Segundo o Embaixador Francisco José da Cruz, que falava na reunião plenária da Assembleia Geral da ONU sobre as prioridades do Secretário-Geral para 2026, os progressos são igualmente assinaláveis na acção climática e na implementação do Pacto para o Futuro, incluindo os esforços em curso para repensar a arquitectura financeira internacional.
No entanto, considerou preocupante o facto de que os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável continuam a não ser alcançados.
Faltando apenas quatro anos para 2030, observou que muitos países continuam a enfrentar restrições estruturais que limitam a sua capacidade de investir nas pessoas, proteger os mais vulneráveis e construir economias resilientes.
Além disso, salientou os elevados níveis de endividamento, o acesso limitado ao financiamento em condições favoráveis e as persistentes assimetrias no sistema financeiro internacional continuam a ser um obstáculo muito real para alcançar o objectivo estratégico de não deixar ninguém para trás.
Reconheceu os progressos alcançados em matéria de paridade de género, ao mesmo tempo que sublinhou a importância de avançar para uma representação geográfica mais equilibrada no sistema das Nações Unidas, incluindo a priorização dos países não representados e sub-representados.
Relativamente à paz e segurança, o Embaixador Francisco José da Cruz disse que Angola mantém um claro compromisso com a prevenção de conflitos e soluções pacíficas, particularmente no continente africano.
“A nossa experiência demonstra que as soluções duradouras exigem apropriação e liderança regionais, diálogo e apoio internacional sustentado, em conformidade com a Carta das Nações Unidas” ressaltou.
Reiterou, por isso, a necessidade de redobrar os investimentos na prevenção de conflitos e na diplomacia preventiva, realçando que a credibilidade do sistema multilateral está intimamente ligada à sua legitimidade para abordar os desafios globais, dando voz a todos.
Propôs que o reforço das Nações Unidas deve incluir a reforma dos seus principais órgãos, sobretudo o Conselho de Segurança, para melhor reflectir as actuais realidades geopolíticas e torná-lo mais propício ao cumprimento eficaz do seu mandato*de manutenção da paz e da segurança internacionais.
“A contínua ausência da África na categoria de membros permanentes continua a ser uma injustiça histórica que nega o princípio da representação equitativa e mina a credibilidade e a confiança no sistema multilateral”, afirmou.
Ao proceder à apresentação das suas prioridades para 2026, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, destacou a necessidade do reforço do multilateralismo, num contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e fragmentação geopolítica; a centralidade da Carta das Nações Unidas e do direito internacional como fundamento da paz, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos.
Aflorou, de igual modo, a urgência de avanços concretos em matérias como financiamento para o desenvolvimento, resposta à crise da dívida, reforma da arquitectura financeira internacional e implementação do Compromisso de Sevilha, bem como o seguimento do Pacto para o Futuro e da iniciativa ONU80, com vista a uma Organização mais eficaz, coerente e representativa das realidades actuais.
Constam ainda do leque de prioridades do Secretário-Geral da ONU, a promoção da paz com justiça, incluindo a prevenção e resolução de conflitos, a protecção de civis e a ligação intrínseca entre paz, desenvolvimento sustentável e acção climática e a defesa da inclusão social, da igualdade de género, do envolvimento da juventude e do respeito pelos direitos humanos, bem como a necessidade de construir sociedades coesas num mundo cada vez mais polarizado.
António Guterres apontou como acções imediatas para as próximas semanas, o lançamento do Painel Científico Independente sobre Inteligência Artificial para fornecer avaliações imparciais e baseadas em evidências sobre as oportunidades, os riscos e os impactos da IA, e o início de uma série de reuniões mensais sobre a Iniciativa ONU80 para fomentar o diálogo e cooperação contínuos, a fim de melhor equipar a ONU para o futuro.












