24 de June, 2026
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Laurinda Kukuy: uma angolana multifacetada além-fronteiras

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Laurinda Kukuy é uma mulher angolana resiliente, multifacetada e determinada. Natural de Luanda, aos 43 anos de idade, carrega consigo uma trajectória marcada pela educação, trabalho em diferentes sectores e pelo empreendedorismo além-fronteiras.

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Gregório Semedo consolidou a formação numa caminhada profissional já iniciada muito antes do ensino superior.

A sua vida profissional começou em Angola, na área da pedagogia, onde trabalhou durante cinco anos como professora.

Foi durante o percurso académico universitário que nasceu um interesse mais profundo pela área da gestão de recursos humanos, o que levou-a transitar para essa área, passando a exercer funções como técnica de recursos humanos.

Em 2013, Laurinda Kukuy saiu de Angola, uma decisão foi motivada por questões familiares e de saúde, factores que a levaram a procurar melhores condições fora do país.

A mudança levou-a para Argentina, onde deu continuidade ao seu trabalho em gestão de recursos humanos, desta vez integrada numa empresa agrícola.

Foi nesse contexto que aprofundou conhecimentos ligados ao sector da agricultura, passando a trabalhar directamente em projectos agrícolas, experiência que viria a marcar de forma decisiva os seus planos futuros.

Actualmente, Laurinda reside em Israel, onde trabalha como educadora de infância, exercendo funções directamente ligadas ao Ministério da Educação israelita.

Apesar de possuir formação e experiência na pedagogia, a barreira linguística foi um desafio inicial.

Ao inscrever-se no Ministério da Educação com o objectivo de leccionar português ou espanhol, acabou por ser enquadrada nas creches, trabalhando com crianças de 0 aos 3 anos, função que desempenha com dedicação.

Para além da educação, Laurinda Kukuy é também uma mulher empreendedora.

Em Israel, lançou-se na organização de eventos, uma iniciativa que nasceu com o forte apoio da comunidade feminina angolana residente no país.

No início, os desafios culturais e linguísticos geraram dúvidas, mas o incentivo e a confiança das amigas deram-lhe a força necessária para avançar.

O seu negócio de eventos foi crescendo de forma orgânica, através do passa-palavra.

Hoje, não trabalha apenas para a comunidade angolana, mas para pessoas de várias nacionalidades.

Organiza eventos diversos, oferecendo serviços de catering e decoração, com uma gastronomia variada que inclui pratos angolanos e de outras culturas, sempre muito bem acolhidos.

A ideia inicial surgiu da necessidade de união da comunidade angolana, que se encontrava dispersa por várias regiões de Israel, levando Laurinda a promover encontros mensais em casas de amigas — um gesto simples que acabou por dar origem a um projecto sólido.

Olhando para o futuro, Laurinda Kukuy tem um sonho bem definido: implementar um projecto agrícola em Angola, focado no cultivo de especiarias e plantas aromáticas.

Segundo ela, trata-se de um sector ainda pouco explorado no país, apesar da grande dependência de produtos importados.

O seu objectivo é contribuir para o aumento da produção nacional e para o desenvolvimento económico sustentável.

Do ponto de vista financeiro, Laurinda afirma que, através do seu trabalho e dos projectos que vai desenvolvendo, consegue assegurar as suas despesas, mantendo-se activa e aberta a novos desafios.

Casada e mãe de duas filhas, uma de 14 anos e outra de 8, Laurinda reconhece que a adaptação em Israel não foi fácil, sobretudo devido à língua.

Ainda assim, conseguiu integrar-se, construir uma vida estável e manter viva a ligação com Angola.

Sempre que possível, participa em eventos da comunidade angolana, embora o único dia de descanso semanal — o sábado — nem sempre permita conciliar todas as actividades.

A mudança desejada de Angola

Questionada sobre o que gostaria de ver mudado em Angola, Laurinda é clara: a saúde e a educação.

Considera que o país ainda enfrenta grandes fragilidades nestes sectores e defende que todas as crianças devem ter acesso a educação gratuita e a cuidados de saúde dignos.

A agricultura surge também como pilar essencial para o desenvolvimento nacional.

A luta para levar o nome da Pátria-Mãe longe

As saudades de Angola são muitas, mas há algo que se destaca: a gastronomia angolana, que Laurinda descreve como aquilo de que mais sente falta, apesar de manter contacto regular com familiares que vivem no país.

Por fim, deixa uma mensagem de força e esperança ao povo angolano:
“Que continuemos a lutar para levar o nome de Angola bem longe.

Que se invista mais em educação, saúde e agricultura, porque um país não se constrói sem esses três pilares.

É fundamental criar mais projectos para a juventude, pois “são eles o futuro da nossa nação.”

Laurinda Kukuy é, assim, o retrato de uma angolana que, mesmo longe da sua terra, continua a trabalhar, a sonhar e a contribuir para o crescimento de Angola.