25 de June, 2026
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Augusta Cachinduco a jovem que sonha tornar -se Ministra do Ambiente em Angola

Aos 25 anos, Augusta Cachinduco, natural do município do Lobito, na província de Benguela, está a construir o seu percurso académico longe de casa, mas com o olhar sempre voltado para Angola. Atualmente frequenta o segundo semestre do mestrado em Bioengenharia na Universidade Agrária de Moscovo, na Rússia, instituição onde também concluiu a licenciatura em Engenharia Ambiental e de Águas, na especialidade de recuperação de terras.

A jovem deixou Angola em 2022 após conquistar uma oportunidade de continuar os estudos no exterior. Na altura, já frequentava Engenharia Ambiental e de Águas na Universidade Católica de Benguela, mas decidiu abraçar o desafio de estudar na Rússia para aprofundar conhecimentos e ter acesso a melhores ferramentas de aprendizagem na área ambiental.

Mesmo longe do país, Augusta afirma manter-se atenta ao que acontece em Angola, sobretudo em iniciativas ligadas ao turismo e à proteção ambiental. Entre os exemplos que acompanha estão projetos de recuperação de mangais na província do Zaire e ações de reflorestação em Benguela. Para ela, o crescimento do turismo no país e a presença de visitantes internacionais mostram que Angola começa a ganhar maior visibilidade, embora ainda haja muito por fazer.

O interesse pelo ambiente surgiu cedo. Durante o ensino médio no Instituto Politécnico de Benguela, onde frequentou o curso de Gestão Ambiental, Augusta começou a desenvolver ideias e projetos ligados à preservação da natureza. Foi também nessa fase que nasceu o projeto “Meu Ambiente”, inicialmente pensado para uma feira científica que acabou por não acontecer.

Anos mais tarde, já no final da licenciatura, decidiu recuperar a ideia e transformá-la num projeto educativo. O objetivo é sensibilizar a população para a importância da preservação ambiental através de um aplicativo com jogos e questionários interativos destinados a crianças e adultos. Para Augusta, a educação ambiental não se limita a plantar árvores ou separar resíduos, mas passa sobretudo por mudar mentalidades e hábitos do dia a dia.

Durante a formação universitária, a estudante desenvolveu ainda um trabalho académico focado na recuperação de áreas degradadas. O projeto abordou soluções para restaurar ecossistemas afetados por atividades como mineração, agropecuária, desflorestação e erosão, promovendo a biodiversidade e a sustentabilidade.

A escolha da área ambiental teve forte influência familiar, especialmente do pai, que sempre a incentivou a acreditar no seu potencial e a seguir os seus próprios sonhos. Esse apoio, aliado ao interesse natural pela natureza e pela biodiversidade, ajudou a definir o caminho académico que hoje segue.

A adaptação à vida na Rússia, segundo Augusta, foi positiva. A estudante contou com o apoio de colegas angolanos e de companheiras de residência universitária de diferentes nacionalidades, o que facilitou a integração e a aprendizagem da língua russa. Atualmente dedica-se sobretudo aos estudos, embora também esteja a aprender um novo idioma nos tempos livres.

Apesar da distância, não esconde as saudades da família e dos amigos que ficaram em Angola. Ainda assim, mantém o foco nos objetivos profissionais e académicos. Entre os planos imediatos está concluir o mestrado e finalizar o projeto “Meu Ambiente”.

A longo prazo, Augusta tem um sonho ambicioso: contribuir para o desenvolvimento ambiental do país e, um dia, chegar ao cargo de Ministra do Ambiente de Angola. Para isso, acredita que será necessário trabalhar muito e dar pequenos passos que possam conduzir a mudanças maiores.

Na sua visão, Angola precisa reforçar a legislação ambiental e investir mais em projetos ligados ao tratamento de água, recuperação de solos degradados e educação ambiental da população.

Mesmo distante, Augusta mantém firme a convicção de que pode ajudar a transformar o futuro do país. E deixa uma mensagem de esperança aos angolanos: acreditar no próprio potencial e continuar a trabalhar para que Angola avance rumo a um desenvolvimento sustentável.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD).