8 de June, 2026
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Representante de Angola na ONU manifesta preocupação com o aumento do unilateralismo

Angola manifestou-se nesta segunda-feira, 26, na sede da ONU, em Nova Iorque, preocupada com o aumento do unilateralismo, resultante da crescente priorização dos interesses de alguns países em detrimento dos restantes.

O posicionamento foi expresso pelo Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Embaixador Francisco José da Cruz, durante o debate aberto do Conselho de Segurança sob o tema: “Reafirmando o Estado de Direito Internacional- Caminhos para Revigorar a Paz, a Justiça e o Multilateralismo”.

Estas acções, segundo o diplomata angolano, desafiam a Carta da União das Nações Unidas e o direito internacional, ameaçando, assim, a estabilidade e a eficácia da governação global.

Afirmou que desde a sua criação, há 80 anos, as Nações Unidas têm desempenhado um papel central na manutenção da paz e da segurança internacionais, na promoção dos direitos humanos fundamentais e na defesa do respeito pelo direito internacional, assegurando que os interesses de todas as nações sejam representados e que sejam tomadas decisões para promover o multilateralismo.

Diante do actual cenário, o Embaixador Francisco José da Cruz defendeu que o sistema multilateral continua a ser importante para enfrentar os desafios globais multifacetados e complexos através de acções colectivas inclusivas e concertadas.

Sublinhou que a Carta da ONU e o direito internacional são os alicerces de um sistema internacional moderno ao qual todos os Estados devem aderir para defender o multilateralismo, resolver disputas de forma pacífica e trabalhar em conjunto para reformar e melhorar a governação global.

Advogou ainda a construção de um mundo justo e inclusivo exige uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da ONU para o tornar mais democrático e equitativo e mais adequado para responder aos novos desafios emergentes.

Realçou a necessidade da referida reforma corrigir também uma injustiça histórica, garantindo à África uma representação justa com base no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte de 2005, que defendem dois assentos na categoria de membros permanentes com todos os direitos e privilégios e dois não permanentes adicionais.

“Conforme consta no Pacto para o Futuro, esta reivindicação deve ser tratada como um caso especial”, ressaltou o Embaixador Francisco José da Cruz.

Ao longo da sua alocução, reiterou que a ONU deve reformar o sistema multilateral para manter a sua relevância estratégica para o bem-estar de toda a humanidade.

Neste contexto, manifestou o apoio de Angola à iniciativa UN80 para fortalecer o sistema das Nações Unidas e “preparar-nos para os desafios globais multifacetados e complexos do mundo através de melhorias inclusivas e acções colectivas concertadas”.

Ao concluir, o Embaixador Francisco José da Cruz, recordou a declaração do antigo Secretário-Geral da ONU, Dag Hammarskjöld, em 1954 de que “as Nações Unidas foram criadas não para nos levar ao paraíso, mas para nos salvar do inferno”.