Embaixada de Angola em Dar es Salaam promove reunião para revitalizar o Centro Africano de Minerais e Geociências.
No âmbito do reforço do multilateralismo, a Embaixada de Angola na Tanzânia, representada pelo Embaixador Domingos de Almeida da Silva Coelho, participou este sábado numa reunião dos Estados-Membros do Centro Africano de Minerais e Geociências (AMGC), realizada em Dar es Salaam.
Fundado com o objectivo de promover o desenvolvimento socioeconómico dos seus membros através do conhecimento e da gestão sustentável dos recursos minerais, o Centro enfrenta actualmente desafios operacionais que motivaram esta intervenção diplomática.
Esta foi a primeira reunião ao nível de Embaixadores na história da organização, uma iniciativa promovida pela Embaixada de Angola em Dar es Salaam.
A forte liderança histórica de Angola na organização — que actualmente detém a Vice-Presidência do Centro, refira-se que o actual Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás da República de Angola, Diamantino Pedro Azevedo, exerceu as funções de Director-Geral da instituição no período de 2002 a 2006 — foi o grande motor para a convocação deste encontro, motivado também pelas várias reclamações e preocupações apresentadas pelo actual Director-Geral, Ibrahim Shaddad.
O objectivo principal da Embaixada foi o de sensibilizar os representantes diplomáticos para que, junto das autoridades competentes dos seus respectivos países, promovam a regularização urgente das contribuições em atraso.
O foco central do encontro foi a preocupante falta de cumprimento das obrigações financeiras por parte da maioria dos Estados-Membros. Durante a sessão, foi destacado que apenas Angola, Quénia, Tanzânia e Sudão têm as suas quotas em dia, uma situação que limita severamente a capacidade de actuação da instituição.
O Director-Geral, Ibrahim Shaddad, expressou o seu profundo agradecimento pelo empenho e pela pontualidade financeira de Angola como Estado-Membro exemplar. Contudo, lamentou o facto de os cidadãos angolanos não beneficiarem das valências do Centro. Foi sublinhado que o país tem à disposição oportunidades cruciais na formação e capacitação de quadros para a aquisição de conhecimento na identificação e certificação de minerais, bem como no desenvolvimento da produção artesanal.
Diante deste cenário, o Embaixador Domingos de Almeida da Silva Coelho enfatizou a necessidade urgente de se continuar a trabalhar na sustentabilidade da organização e propôs o envolvimento e a integração de mais países africanos — sugerindo nações como a Namíbia, o Malawi, a República Democrática do Congo e o Egipto e dos países europeus tais como; a Bélgica, Suécia, Dinamarca e Noruega pelas valências já conhecidas; o estabelecimento de um Memorando de Cooperação com a União Europeia para o fortalecimento do Centro. De forma a garantir um acompanhamento rigoroso e eficaz, o Embaixador defendeu também a criação de uma agenda estruturada com encontros bimensais (duas vezes por mês).
Com o intuito de converter a contribuição exemplar de Angola em benefícios tangíveis para a sua população, o Embaixador propôs uma solução inovadora: a deslocação de formadores do Centro para Angola. Esta iniciativa visa facilitar o acesso de jovens angolanos a formação especializada, promovendo a aquisição de competências e o desenvolvimento do autoemprego. O Embaixador ressaltou que esta operação terá um custo reduzido para o país, face à generosa e regular contribuição financeira que Angola tem mantido nesta organização internacional.










