Angola presente nas celebrações do Dia de África realizadas na sede da UA
A sede da União Africana em Adis Abeba, acolheu na manhã desta segunda-feira, o acto central das comemorações do 25 de Maio, Dia de África.
No acto que marca o 63.º ano desde a criação da organização continental, o presidente em exercício da União Africana (UA) Évariste Ndayishimiye, destacou a necessidade de os países membros empenharem-se no sentido de se fazer cumprir a agenda 2063 da União Africana, a “África que Queremos”.
Na sua alocução, Evariste Ndayishimiye defendeu “os pais fundadores da unidade continental escolheram a esperança em vez da divisão, a solidariedade em vez do egoísmo e a união em vez dos interesses estreitos, afirmando que a sua visão deu origem à organização continental africana, hoje transformada na União Africana, símbolo vivo de dedicação colectiva.
Sessenta e três anos depois, apesar do desafio que a África continua a enfrentar, o continente conseguiu afirmar-se na cena internacional com confiança e responsabilidade. A adesão da África ao G20 constitui, um reconhecimento histórico da importância crescente do nosso continente na governação mundial uma vez que traduz igualmente a legitimidade das aspirações africanas por uma governação mais justa e representativa.
Segundo Ndayishimiye, o fortalecimento das instituições, nomeadamente através da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para corrigir as injustiças históricas cometidas contra o nosso continente e garantir à África uma representação justa, permanente e conforme ao seu peso demográfico, político e estratégico é um compromisso não é um fim em si mesmo.
Deve permitir-nos defender com mais força as aspirações dos nossos povos, promover as nossas prioridades de desenvolvimento e contribuir para uma ordem mundial mais justa e representativa. Deve também reforçar o nosso apelo à reforma do sistema financeiro internacional, para que as economias africanas tenham acesso a financiamentos mais justos, mais acessíveis e adaptados às realidades do nosso desenvolvimento.
A nossa reivindicação não é excessiva. É uma exigência legítima de justiça e de participação nos mecanismos de decisão que moldam o futuro do mundo. A Agenda 2063 representa esta visão estratégica de uma África próspera e integrada, impulsionada pelos seus próprios cidadãos. A Agenda 2063 não é apenas um roteiro institucional; é a promessa viva de uma África que escolhe construir desde hoje o seu futuro. Mas esta celebração deve também ser um momento de consciência colectiva. Durante décadas, apesar dos avanços alcançados, milhões de africanos continuam a viver no sofrimento, vítimas de conflitos armados, terrorismo, extremismo, catástrofes climáticas e crises sanitárias.
Em várias regiões do nosso continente, famílias inteiras vivem em campos de refugiados ou de deslocados internos, privadas do essencial. Entre elas estão crianças que deveriam estar na escola e não serem testemunhas da guerra, da fome ou da violência. Hoje devemos dirigir-lhes uma mensagem de esperança, mas sobretudo acções concretas.
Como costumo dizer, uma criança africana privada de educação hoje é uma parte do futuro da África que se perde amanhã, afirmou.
Ao longo da sua alocução defendeu que mesmo nos campos de refugiados e deslocados, a educação deve continuar a ser uma prioridade tão essencial quanto a própria humanidade. Sim, devemos alimentar os que têm fome, proteger os mais vulneráveis e apoiar as populações afectadas.
Mas também devemos investir na educação das nossas crianças, onde quer que estejam, porque nenhuma nação construirá o seu futuro sem uma geração instruída.
Os meus pensamentos dirigem-se igualmente aos Estados-membros confrontados com transições difíceis, bem como àqueles que enfrentam diariamente a ameaça terrorista. Nenhum país deve ser deixado sozinho diante deste perigo que fragiliza as nossas instituições, ameaça as nossas populações e compromete o futuro do continente. Faço um apelo a uma mobilização africana mais forte, porque apenas unidos conseguiremos impedir que esta ameaça se espalhe pelo nosso espaço comum. O terrorismo não distingue povos, culturas nem fronteiras. Ele atinge cegamente e exige dos nossos Estados uma resposta unida, coerente e duradoura.
A todas as famílias afectadas por esta tragédia, apresento a minha profunda solidariedade. Cada vida africana perdida é uma ferida sentida por toda a África. A integração africana continua a ser a nossa prioridade incontornável. Por isso, devemos acelerar a implementação efectiva da Zona de Livre Comércio Continental Africana. O sucesso desta iniciativa histórica permitirá reforçar o comércio intra-africano, criar oportunidades para a nossa juventude e acelerar a industrialização das nossas economias
A África precisa de cada um dos seus filhos e de cada uma das suas filhas. Onde quer que estejam no mundo, continuam a ser parte essencial do nosso destino colectivo. Neste Dia de África, renovemos juntos o nosso compromisso com os ideais do pan-africanismo, com a paz, com a unidade e com o desenvolvimento sustentável do nosso continente. Que a África seja forte, próspera, pacífica e respeitada no mundo, lê-se no documento.
Por sua vez o presidente da comissão da União Africana Mahmod Ali Youssufafirmou que a África se levantou, lutou e, antes de conquistar a sua liberdade e dignidade, no período após as independências, o movimento pan-africano traçou o caminho da unidade e da solidariedade africana.
Mas há ainda a responsabilidade de continuar a construir uma África pacífica, integrada e próspera já que os desafios são numerosos e complexos, a agenda continua em aberto.
O acto terminou com uma visita à exposição de artefactos exibida pelos países membros da União Africana e um almoço onde foi possível degustar das iguarias diversas da culinária africana.










