18 de June, 2026
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Discurso do Presidente da República de Angola, João Lourenço, na abertura do Fórum de Investimento no Turismo Angola 2026

“Sua Excelência Senhor Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo;

Sua Excelência Primeira-Ministra da Namíbia;

Distintos Representantes de Organizações Internacionais;

Senhores Ministros e Membros do Corpo Diplomático;

Ilustres Investidores, Empresários e Líderes do Sector Turístico;

Minhas Senhoras, Meus Senhores;

Excelências,

Constitui para mim uma elevada honra dirigir-me a todos os participantes desta Cimeira de Investimentos Angola 2026 que, em parceria com o Fórum Global de Turismo, reúne aqui na cidade de Luanda, num mesmo espaço, a determinação, as vontades e os recursos necessários para transformarmos o turismo angolano e africano numa força verdadeiramente global.

Permitam-me expressar as nossas boas-vindas aos ilustres convidados provenientes de diferentes regiões de África e do mundo, cuja presença testemunha a crescente importância do turismo como um dos sectores cruciais para a promoção do crescimento económico sustentável, da proximidade entre os povos, da paz e da prosperidade partilhada.

O turismo é, actualmente, uma das actividades económicas mais dinâmicas à escala global, porque a sua capacidade de gerar emprego, atrair investimento, estimular o empreendedorismo e impulsionar o desenvolvimento local torna-o num sector estratégico para qualquer país que aspire a um crescimento inclusivo.

Num contexto internacional marcado por profundas transformações económicas, tecnológicas e geopolíticas, o turismo emerge como um dos sectores com maior capacidade para gerar riqueza, estimular o investimento privado, promover a inovação e criar oportunidades para milhões de cidadãos.

Excelências
Minhas Senhoras, Meus Senhores

A realização deste Fórum em Angola constitui um reconhecimento do percurso que o nosso país vem realizando no sentido da consolidação da estabilidade política, do fortalecimento das instituições, da melhoria do ambiente de negócios e da construção de uma economia cada vez mais diversificada, moderna e competitiva.

Para Angola, o turismo é uma ambição consolidada ao longo de anos de reformas estruturais, de abertura ao investimento e de aposta consistente na diversificação da nossa economia.

Decidimos de forma determinada reduzir a nossa dependência do sector petrolífero e construir uma economia assente em sectores com elevado efeito multiplicador, que criam empregos, riqueza, valor acrescentado, que valorizam as comunidades locais e que projectam Angola como destino de excelência no mundo.

Angola apresenta-se hoje ao mundo como um país de estabilidade, de visão e de grandes oportunidades de investimento.

Dispomos de uma costa atlântica de mais de 1.600 Km de extensão, de parques e reservas naturais de elevado valor ecológico, de rios, lagos e paisagens de extraordinária beleza, de uma biodiversidade singular e de um património histórico-cultural e de gastronomia, que reflectem a riqueza e a diversidade do povo angolano.

Das majestosas Quedas de Kalandula, as Pedras Negras de Pungo Andongo, o Deserto do Namibe, a Fenda da Tundavala, os parques e reservas naturais do Iona, de Mavinga, do Luengue Luiana, do Okavango Zambeze, do Lumeje Cameia, o Kulumbimbi na antiga capital do Reino do Congo, às tradições culturais das nossas comunidades, Angola reúne condições ímpares para se afirmar como um dos destinos turísticos mais promissores de África, por reunir, num mesmo espaço geográfico, uma combinação rica de turismo de Natureza, turismo cultural, turismo de aventura, turismo de praia e turismo de negócios, potencial que adquire significado com a sua transformação em oportunidades concretas de investimento e de desenvolvimento.

Por esta razão, a República de Angola está a apostar fortemente em investir na criação das infra-estruturas necessárias para potenciar o crescimento do sector em importantes zonas do país.

A entrada em funcionamento do novo Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, o desenvolvimento do Corredor do Lobito, o futuro Palácio de Convenções de Luanda a ser inaugurado em breve e a expansão das nossas infra-estruturas energéticas, de telecomunicações, rodoviárias, aeroportuárias, ferroviárias, portuárias e hospitalares completam o quadro de um país que está a construir, de forma séria e responsável, as fundações do seu futuro económico.

Paralelamente, estamos a implementar um amplo programa de reformas, destinado a simplificar procedimentos de ordem administrativa e burocrática, reforçar a segurança jurídica, aumentar a transparência e melhorar a competitividade da economia nacional, o que representa um passo decisivo para a criação de condições favoráveis à participação do sector privado e à valorização do enorme potencial turístico do nosso país.

Este compromisso foi reconhecido pela distinção de Angola como “Melhor Destino de Investimento Turístico” pelo Global Tourism Forum em 2025, facto que exige de nós responsabilidades acrescidas neste âmbito.

Queremos que o crescimento do turismo contribua para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, fortalecer as economias locais e promover um desenvolvimento equilibrado entre as diferentes regiões do país e, para isso, o Estado angolano continuará a empenhar-se para transformar esta ambição em realidade.

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores

O turismo assume importância estratégica crescente no processo de integração regional e continental, sendo hoje um dos mais eficazes instrumentos de aproximação entre os povos, de promoção da paz, da concórdia universal e do desenvolvimento económico sustentável.

Ele promove a circulação de pessoas, incentiva o comércio, estimula o negócio transfronteiriço e fortalece os laços históricos, culturais e económicos que unem os povos e as nações.

O continente africano reúne condições únicas para se afirmar como uma das zonas turísticas mais competitivas e atractivas do mundo.

A diversidade dos seus ecossistemas, a riqueza do seu património cultural, a hospitalidade dos seus povos e o crescente dinamismo das suas economias criam um conjunto de atractivos que nenhuma outra região do mundo pode replicar.

É importante destacar que, em 2025, o continente africano teve um crescimento anual em número de visitantes, que supera as taxas registadas em outros continentes.

No entanto, reconhecemos que temos ainda muito trabalho pela frente, para conseguirmos colocar todas essas grandes potencialidades ao serviço das pessoas e das nossas economias.

Precisamos de agir de forma coordenada, ambiciosa e responsável, de construir uma visão integrada assente na cooperação e na complementaridade entre os nossos países.

África está empenhada e comprometida em resolver questões importantes como a conectividade aérea e a mobilidade regional, bem como harmonizar as políticas migratórias de modo a facilitarmos a circulação interna dos nossos cidadãos, bem como de quem pretenda visitar o nosso continente.

Devemos apostar fortemente na formação de recursos humanos que, aliados à hospitalidade africana, podem tornar-se numa grande vantagem competitiva.

Devemos igualmente investir na promoção dos nossos destinos, capaz de projectar a verdadeira imagem do nosso continente como um continente de oportunidades, de inovação, de imensos recursos naturais e de extraordinária diversidade cultural.

A integração regional deve ser encarada como uma necessidade económica, na medida em que nenhum país poderá explorar plenamente todo o seu potencial turístico, actuando de forma isolada.

É através da cooperação, da complementaridade e da construção de uma visão comum que conseguiremos alcançar resultados duradouros.

Angola continuará a trabalhar activamente com os Estados-membros da nossa região, com a União Africana e com os seus parceiros internacionais para promover uma agenda de mobilidade, de conectividade e de desenvolvimento turístico regional.

A República de Angola está aberta ao investimento estrangeiro, à inovação, à transferência de conhecimento e às parcerias que gerem benefícios mútuos.

As oportunidades são vastas e abrangem toda a cadeia de valor do turismo, desde a hotelaria aos resorts, ao ecoturismo, ao turismo de negócios, às infra-estruturas de lazer, à economia digital, aos serviços de transporte, à formação profissional, à gestão de destinos e às tecnologias aplicadas à indústria do turismo.

Convidamos os investidores que hoje partilham connosco este momento a investirem nos nossos projectos turísticos, nas nossas infra-estruturas, na hotelaria, nos transportes, na economia digital aplicada ao turismo e na formação profissional virada para o sector do turismo.

Angola continuará a ser um parceiro comprometido e fiável para o investimento de longo prazo; aqui, encontram bom ambiente de negócios, segurança jurídica e parceiros comprometidos.

Acreditamos firmemente que o investimento privado é um elemento essencial para acelerar a transformação económica e criar oportunidades para a nossa juventude.

Encaramos os investidores não apenas como financiadores de projectos, mas como parceiros estratégicos do desenvolvimento nacional e regional.

Excelências
Minhas Senhoras, Meus Senhores

Vivemos um momento particularmente exigente para a comunidade internacional, onde se multiplicam os desafios associados às alterações climáticas e aos persistentes conflitos armados em diferentes regiões do mundo, desde África à Europa Oriental, ao Médio Oriente e ao Golfo Pérsico, com consequências profundas para a paz e segurança mundiais, para as cadeias logísticas de abastecimento, para a segurança alimentar e energética e para o crescimento económico global.

Que os mais recentes entendimentos entre os Estados Unidos da América e o Irão sejam o prelúdio de uma paz duradoura no Médio Oriente e que contribuam para a implementação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a criação do Estado da Palestina.

A actual conjuntura internacional exige respostas colectivas e um renovado compromisso com os princípios do multilateralismo, do diálogo e da cooperação internacional.

A paz continua a ser o principal pressuposto do desenvolvimento, pois, sem estabilidade não há investimento nem crescimento económico.

Neste contexto, o turismo assume uma importante dimensão humana e diplomática, ao promover o encontro entre povos e culturas, contribuindo assim para o reforço do entendimento mútuo, da tolerância e da cooperação entre as nações.

É fundamental, por isso, que todos os países, as organizações multilaterais e os mecanismos regionais continuem a privilegiar o diálogo, a diplomacia e a solução pacífica dos conflitos.

A União Africana e as Nações Unidas têm um papel insubstituível na promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento sustentável, condições indispensáveis para o crescimento do turismo e para a prosperidade dos nossos povos.

 

Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores

Tenho a forte convicção de que este Fórum se constituirá numa plataforma privilegiada para a construção de novas parcerias, a mobilização de investimentos e a definição de estratégias que contribuam para posicionar Angola e o continente africano entre os grandes destinos turísticos e económicos do mundo.

Agradeço aos organizadores, aos parceiros internacionais, aos patrocinadores e a todos os participantes, pela sua presença e pelo seu compromisso com esta causa comum.

Com estas palavras, declaro oficialmente aberto o Fórum de Investimento Angola 2026.

Muito obrigado pela vossa atenção!”