PR inaugura Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda
O Presidente da República, João Lourenço, inaugurou esta sexta-feira o Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda (Luanda TEC), uma infra-estrutura destinada a impulsionar a investigação científica, a inovação tecnológica e o empreendedorismo em Angola.
Localizado junto às Faculdades de Ciências Sociais e de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, o complexo resulta de uma iniciativa do Governo angolano, através do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, com financiamento maioritário do Banco Africano de Desenvolvimento.
O parque integra laboratórios especializados, centro de investigação científica, incubadora de empresas tecnológicas, biblioteca, auditório, áreas empresariais e espaços de formação, criando condições para a ligação entre a academia, a investigação e o sector produtivo.
O projecto visa reforçar o sistema nacional de investigação científica, promover a transferência de tecnologia, apoiar startups e atrair investimento para o sector tecnológico.
A cerimónia contou com a presença da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, da Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, e do ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Ferreira, entre outras entidades.
DECLARAÇÕES À IMPRENSA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Bom dia a todos!
Este parque de ciência e tecnologia constitui um ponto de encontro perfeito entre a academia, a investigação e o desenvolvimento com as empresas e com os jovens que pretendem ou estejam já a desenvolver as suas pequenas startups.
É um centro que chega no momento certo, porquanto entendemos que um país que se queira desenvolver tem que prestar atenção à ciência e à tecnologia. Os jovens e as empresas, no fundo, acabarão por ser os principais beneficiários deste parque de ciência e tecnologia.
A exemplo do que já vem acontecendo com o sector da saúde – onde o Executivo angolano tem vindo, nos últimos anos, a fazer grandes investimentos, não apenas em infra-estruturas, como também na formação e admissão de pessoal -, o Executivo angolano decidiu fazer o mesmo em relação não só à educação, que é a base, como também em relação ao ensino superior.
Estamos já a fazer importantes investimentos em infra-estruturas para servir o ensino superior. O número é tão grande que, se me permitirem, vou recorrer, àquilo que eu às vezes, na brincadeira, chamo “minha cábula”.
Portanto, estamos aqui neste parque de ciência e tecnologia, que está pronto.
Em termos do Campus Universitário da Universidade António Agostinho Neto, visitei há dias aquilo que virá a ser, ainda no próximo ano, o Hospital Universitário.
O país ficou muitos anos sem ter um hospital universitário. Naquele mesmo espaço do campus universitário, vão nascer as infra-estruturas do Instituto de Ciências da Saúde, as faculdades de Medicina, portanto, as infra-estruturas da Faculdade de Medicina, da Faculdade de Engenharia, do Desporto e das Humanidades.
Vamos – já fora deste campus, falando do país – no Namíbe construir a terceira fase da Universidade do Namíbe. E vamos construir em vários pontos do país – quando digo vamos, alguns deles já estão sendo construídos – institutos superiores polititécnicos, nomeadamente em Ondjiva, capital do Cunene; no Soyo, província do Zaire; no Luena, Moxico; no Cuito, na província do Bié; em Ndalatanto, Cuanza Norte; e no Sumbe, Cuanza Sul.
Vamos, igualmente, reabilitar as faculdades de Economia e de Ciências da Universidade Agostinho Neto, mais uma vez. Vamos construir as infra-estruturas da Universidade Rainha Jinga, da Universidade 11 de Novembro, da Universidade Katiavala Buila, na Baía Farta, província de Benguela, e do ISCED de Benguela, município da Baía Farta.
Tudo isso quanto eu disse, até agora, são infra-estruturas que já estão em construção ou as obras vão arrancar ainda no decorrer do presente ano de 2026.
Vou citar, em seguida, empreitadas de construção de infra-estruturas que não tiveram início, porque estamos na fase de mobilização do financiamento: ISCED do Huambo, o ISCED do Lubango, o ISCED do Uíge, a Universidade José Eduardo dos Santos, a Universidade Mandume Ya Ndemufayo, no Cunene; a Universidade do Cuito Cuanavale, na província do Cubango e, finalmente, a Universidade Kimpa Vita [no Uíge].
Todos esses citados ultimamente, começando pelo ISCED do Huambo, são infra-estruturas que vão ser construídas. Portanto as decisões estão tomadas, mas que estão na fase de mobilização do financiamento para a execução das obras. É evidente que o investimento não pode ser feito apenas na construção de infra-estruturas. O sector do Ensino Superior tem que acompanhar estes projectos com a formação do homem e lançar concursos públicos para admissão de pessoal que vai pôr em funcionamento, nos próximos anos, todas essas infra-estruturas, num número bastante grande, quer aquelas que já estão em construção, quer as últimas que eu anunciei, mas para as quais estamos atrás do financiamento.
🟥 PERGUNTAS E RESPOSTAS
🔳TPA – A minha questão é a seguinte: qual é o sentimento, neste momento, depois da inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda, olhando exactamente para um histórico do país, onde académicos apelavam para a necessidade de mais investimento em infra-estrutura e incentivo à investigação científica?
🔳PR – O sentimento só pode ser de satisfação, não podia ser diferente. O apelo que fazemos é que os utilizadores deste parque de ciência e tecnologia valorizem o investimento que foi feito, cuidando bem, sobretudo, dos equipamentos que foram instalados aqui nesses edifícios.
Durante a visita, tivemos a oportunidade de verificar que são equipamentos de ponta e que devem ser bem cuidados.
🔳TPA – Senhor Presidente, mais uma pergunta. É sabida a sua preocupação em relação à qualidade do ensino em Angola. Há pouco, fez anúncio de investimentos no Subsistema de Ensino Superior e voltou a reiterar esta preocupação de que é necessário investir-se em mais escolas, em mais infra-estruturas, sobretudo do Ensino Superior. Considera, com a política até aqui traçada, que estamos a chegar lá, na melhoria da qualidade do ensino em Angola?
🔳PR – Sim, estamos. E, nos próximos anos, com certeza, estaremos em melhores condições de chegar a esta conclusão. Desde que haja vontade das pessoas, creio que tudo é possível. E eu dou sempre o exemplo do sector da Saúde. Quem viu o sector da Saúde há alguns anos e vê hoje, concluirá que conseguimos dar e fazer uma reviravolta bastante grande. Conseguimos admitir muito pessoal no sector . Havia manifestações, na altura, de pessoas a pedirem que fossem colocados no sector da Saúde e isso já não existe. Hoje, se calhar nós é que vamos fazer manifestações a pedir que eles venham trabalhar.
Com o ensino superior vai ser o mesmo. Por isso fazia, há bocado, o pedido de não ficarmos apenas pelas infra-estruturas. As infra-estruturas, desde que haja dinheiro, fazem-se. Agora, em relação ao homem, só o dinheiro não basta. É preciso formação e a formação leva tempo. Depois de formados têm sempre um período de adaptação, de ganhar experiência. Portanto, esta parte dos recursos humanos, quanto mais cedo se der início, melhor. Não vamos começar hoje, obviamente. O sector não está de braços cruzados. A formação tem vindo a ser feita. O apelo é que se incremente um pouco mais do esforço que já vem sendo feito.
🔳TV ZIMBO – Eu gostava de saber, depois de ter visitado os diferentes compartimentos que constituem este parque, se constatou que tem capacidade para atrair investimento estrangeiro e se há abertura para o efeito.
🔳PR – Quando nós falávamos, há bocado, dos principais beneficiários que vão ser os nossos investigadores, jovens, sobretudo e não só, mas também as empresas, nós não quisemos discriminar ninguém. Desde que sejam empresas que estejam a operar no nosso país, com certeza que terão o mesmo tratamento que será dado a qualquer outra empresa nacional. Estamos a falar em empresas no geral.
🔳TV ZIMBO – Já estou a olhar para daqui para frente. Qual poderá ser o indicador que, daqui a alguns anos, o Senhor Presidente dirá que este parque foi um sucesso?
🔳PR – Na devida altura, vamos pronunciar-nos. Eu penso que, neste momento, é cedo. Os que estão ligados ao sector da Economia, particularmente o Ministério do Planeamento, a partir de agora vão acompanhar a evolução deste parque e o impacto que ele terá na nossa economia nos próximos anos.
🔳REDE GIRASSOL – Senhor Presidente, visitou toda esta infra-estrutura, olhou para a qualidade que ela apresenta. Ao olhar para a área de investigação científica, temos uma grande infra-estrutura, com compartimentos capazes de responder aquilo que é a necessidade dos investigadores. Porém, estes mesmos queixam-se da falta de fundos de apoio para a publicação e também para o processo todo de investigação científica. Pensa-se na criação de um fundo para o apoio aos investigadores, uma vez que já existem infra-estruturas?
🔳PR – O fundo já existe, o FUNDECIT. Agora: será suficiente? Não será suficiente? Estará a ser bem aproveitado ou não? Eu creio que o sector vai fazer esta análise do grau de aproveitamento do Fundo e depois tirar conclusões, se não há mais nada a fazer ou se precisamos de fazer alguma coisa mais.
🔳REDE GIRASSOL – A olhar para o sector das startups em Angola, que tem estado a crescer, observámos no ANGOTIC que foram mais de 200 a participar e com grandes projectos. Porém, há uma questão que os jovens, entrevistados pela Rede Girassol, manifestaram, que tem a ver com o fraco investimento nos seus projectos. Muitos deles têm de participar em feiras, como o ANGOTIC, para receberem qualquer financiamento e nalgumas vezes privado. Pensa-se também na criação de algum fundo para apoiar tais projectos, uma vez que os jovens, às vezes, esperam de ano em ano para receber qualquer incremento para ajudar projectos que foram custeados com 200.000 kwanzas e têm uma margem de crescimento com até, às vezes, dois milhões de kwanzas?
🔳PR – Há questões de detalhe, como esta que acaba de colocar, que não me compete a mim reagir. O número de startups, que surgem praticamente todos os dias, é tão elevado e nem todas vingam. Faz muito mais sentido o Estado pensar em apoiar aquele leque de startups que, entre os milhares, deram provas de que têm futuro. Portanto, muito provavelmente este será o caminho











