Engenheira Elinela Cabangage quer modernizar mineração em Angola
Elinela Cabangage dos Passos é uma engenheira angolana que quer levar experiência internacional para modernizar a mineração em Angola.
Aos 26 anos, Elinela Cabangage dos Passos concluiu o mestrado em Exploração Mineira na Turquia, com nota máxima na dissertação, e trabalha como chefe do sector de Planeamento Mineiro numa empresa internacional de exploração de ouro.
De Luanda para a Turquia, a jovem engenheira construiu uma trajectória marcada pela formação, resiliência e ambição de contribuir para o desenvolvimento sustentável do sector mineiro angolano.
Natural de Luanda, Elinela Cabangage dos Passos encontrou na Engenharia de Minas uma área capaz de unir ciência, tecnologia, planeamento e sustentabilidade.
A paixão pela mineração começou ainda no ensino médio, quando frequentou a formação técnica média de Minas no Instituto Nacional de Petróleos.
Depois dessa etapa, ingressou na Universidade Agostinho Neto, no curso de Engenharia de Minas.
Em 2019, surgiu a oportunidade que viria a mudar o rumo da sua formação: uma bolsa de estudos do Governo da Turquia, através do programa YTB, que lhe permitiu prosseguir os estudos na Universidade Dokuz Eylül.
A mudança para a Turquia
A mudança de Angola para a Turquia representou, para a jovem, muito mais do que uma oportunidade académica.
Foi também uma forma de desafiar os próprios limites e preparar-se para competir num mercado cada vez mais globalizado.
Mais do que obter um diploma, o seu objectivo era adquirir competências que lhe permitissem competir no mercado global e, no futuro, contribuir para o desenvolvimento do sector mineiro angolano.
Na Universidade Dokuz Eylül, Elinela concluiu a licenciatura em Engenharia de Minas e, posteriormente, o mestrado em Exploração Mineira.
A sua dissertação, intitulada “Estimativa de Reserva e Planejamento de Produção na Mineração de Rochas Ornamentais”, recebeu classificação máxima.
Para a engenheira, a conclusão do mestrado representa a recompensa por anos de esforço e perseverança.
A jovem engenheira reconhece que estudar num país em que a língua é totalmente diferente e longe da família exigiu muito de si.
Esta conquista, referiu, representa crescimento académico, profissional e pessoal.
Da sala de aulas para a indústria mineira
A experiência adquirida na Turquia ultrapassou os limites da universidade.
Actualmente, Elinela Cabangage trabalha como chefe do sector de Planeamento Mineiro na Anka Mining C.O, empresa internacional ligada à exploração de ouro.
No exercício das suas funções, é responsável por transformar dados geológicos em planos de exploração seguros e eficientes.
Entre as actividades que desempenha estão a modelagem geológica, o planeamento da produção, a análise de reservas e a colaboração com geólogos e outros engenheiros para optimizar as operações mineiras.
Ao longo da carreira, teve ainda contacto com operações relacionadas com ouro e diamantes, além de experiências ligadas à aquisição internacional de minerais.
Segundo a engenheira, essas experiências permitiram-lhe conhecer diferentes modelos de trabalho e compreender melhor a dimensão global da indústria mineira.
Por outro lado, a formação no exterior também lhe permitiu conhecer diferentes etapas da actividade mineira.
Durante a sua experiência universitária na Turquia, teve contacto com laboratórios de análise química de minerais, produção de mapas topográficos e estruturas destinadas ao tratamento de minerais de pequena e média escala.
Os desafios de ser mulher num sector tradicionalmente masculino
Construir uma carreira num sector historicamente dominado por homens foi outro dos desafios enfrentados por Elinela.
A engenheira reconhece que liderar uma equipa num ambiente predominantemente masculino nem sempre foi fácil, mas decidiu encarar as dificuldades como uma oportunidade para demonstrar a sua capacidade.
“Foi difícil, foi muito difícil. Mas nunca encarei isso como um obstáculo, e sim como uma responsabilidade. Sempre procurei conquistar o meu respeito a partir do conhecimento, da competência e do profissionalismo”, afirma.
Para Elinela, a liderança não deve ser determinada pelo género.
Defende que a liderança não depende do género, mas da capacidade de inspirar confiança e entregar resultados.
A experiência reforçou o seu desejo de ver mais mulheres a ocupar posições de destaque na indústria mineira.
Uma experiência de adaptação e crescimento
A chegada à Turquia, em 2019, exigiu uma profunda adaptação.
A jovem teve de aprender uma nova língua, adaptar-se a uma cultura diferente e integrar-se num sistema de ensino que considera rigoroso.
Apesar das dificuldades, Elinela considera que a experiência foi enriquecedora e contribuiu para desenvolver competências pessoais e profissionais.
A convivência com pessoas de diferentes nacionalidades tornou-a, segundo afirma, mais aberta e preparada para trabalhar em ambientes multiculturais.
Sem familiares na Turquia, manteve na família, que permaneceu em Angola, uma das suas principais fontes de inspiração.
O marido vive no Canadá, mas, apesar da distância geográfica, Elinela afirma continuar a contar com o apoio dos seus familiares.
A gestão da vida financeira no estrangeiro também foi uma aprendizagem.
Como estudante estrangeira e bolseira, desenvolveu hábitos de organização e disciplina, procurando equilibrar os recursos disponíveis entre a formação, a vida profissional e a vida pessoal.
Angola continua prioridade
Apesar de estar há vários anos no estrangeiro, Elinela afirma acompanhar atentamente a realidade angolana através dos meios de comunicação social, das redes sociais e do contacto com familiares, amigos e colegas de profissão.
Para a jovem engenheira, Angola continua a ser uma prioridade.
Entre as áreas que considera fundamentais para o desenvolvimento do país estão o investimento na educação, na investigação científica e na valorização do capital humano.
Defende também que o sector mineiro pode gerar maior valor para a economia nacional através da transformação local dos recursos naturais e da criação de oportunidades para os jovens.
É neste contexto que pretende colocar a experiência adquirida no estrangeiro ao serviço do país.
Contributo para uma mineração moderna
A engenheira Elinela manifesta o imenso desejo de aplicar em Angola o conhecimento e a experiência técnica internacional adquirida ao longo dos anos.
Ressalta ser seu objectivo contribuir para uma mineração mais moderna, sustentável e eficiente.
Além da aplicação dos conhecimentos técnicos, pretende contribuir para a formação de novos quadros e incentivar uma maior participação feminina no sector.
O regresso a Angola
O regresso ao país faz parte dos planos de Elinela.
A intenção é continuar a especializar-se em planeamento mineiro, participar em grandes projectos internacionais e, no futuro, desenvolver iniciativas capazes de contribuir para o crescimento sustentável da indústria mineira angolana.
Entre as coisas de que mais sente falta estão a família, a gastronomia e a cultura angolana, além da alegria característica do povo.
“O talento não tem género nem fronteiras”
A experiência de Elinela Cabangage também se transformou numa mensagem dirigida aos jovens angolanos, sobretudo às mulheres que pretendem seguir carreiras nas áreas de Engenharia e outras especialidades técnicas.
A engenheira defende que as circunstâncias não devem limitar os sonhos e considera a educação uma das ferramentas mais importantes para a transformação individual e colectiva.
Aos que desejam seguir Engenharia de Minas ou qualquer outra área técnica, especialmente as mulheres, encoraja a não terem medo de ocupar espaços que durante muito tempo permaneceram inacessíveis.
Reiterou o apelo aos estudos, à contínua preparação e a trabalharem com ética e persistência, até porque o talento não tem género nem fronteiras.
“Acreditem no vosso potencial e nunca deixem de aprender”, aconselha.
Para Elinela, o conhecimento adquirido deve servir não apenas para construir carreiras individuais, mas também para contribuir para o desenvolvimento do país.
A sua trajectória, iniciada nos estudos técnicos em Angola e actualmente desenvolvida no sector mineiro internacional, traduz precisamente essa ambição: adquirir conhecimento além-fronteiras para, um dia, colocá-lo ao serviço de uma mineração angolana mais moderna, eficiente, sustentável e inclusiva.
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