Angola ganha espaço na diversificação das cadeias globais de abastecimento
Angola está a reforçar o seu papel como fornecedor alternativo de matérias-primas estratégicas, sobretudo de alumínio e fertilizantes, num momento de forte perturbação das cadeias globais de abastecimento. A análise é da publicação online ‘Business Insider Africa’, que, num artigo intitulado ‘Angola steps into the breach’ – ‘Angola vem em nosso auxílio’, tradução livre – destaca o potencial dos novos investimentos industriais angolanos num contexto de tensões no Estreito de Ormuz.
Segundo a publicação, a nova fundição de alumínio da Huatong, localizada na Barra do Dande, província do Bengo, já iniciou a produção e realizou a sua primeira exportação, com o envio de cerca de 1.000 toneladas de lingotes de alumínio a partir do porto de Luanda. A primeira fase da unidade prevê uma capacidade anual de 120.000 toneladas, enquanto a produção actual ronda as 240 toneladas por dia.
Alumínio e fertilizantes em destaque
A ‘Business Insider Africa’ salienta que o desenvolvimento da indústria do alumínio pode beneficiar Angola num período em que as perturbações no Golfo estão a afectar o fornecimento mundial. O alumínio é essencial para sectores como os veículos eléctricos, as energias renováveis e a indústria de defesa.
Outro sector destacado é o dos fertilizantes. Angola está a aproveitar as suas reservas de gás natural para desenvolver o complexo de amoníaco e ureia da AMUFERT, localizado no Soyo, província do Zaire, projecto avaliado em cerca de 2 mil milhões de dólares e parcialmente financiado pelo Afreximbank. A unidade deverá entrar em funcionamento no final de 2027 e produzir aproximadamente 4.000 toneladas de ureia por dia, permitindo satisfazer o consumo interno e gerar excedentes para exportação.
Para a publicação, estes investimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla de diversificação da economia angolana, que procura transformar as receitas provenientes dos hidrocarbonetos em capacidade industrial e reduzir a dependência do petróleo. A estratégia inclui ainda a aposta no processamento de minerais críticos e no desenvolvimento de novas cadeias de valor.
A análise reconhece, contudo, que Angola enfrenta desafios relacionados com as infra-estruturas portuárias e ferroviárias, bem como com a volatilidade dos preços internacionais das matérias-primas. O Corredor do Lobito, entretanto, é apontado como uma infra-estrutura com potencial para melhorar a circulação de mercadorias na África Central e Austral.
A ‘Business Insider Africa’ considera que, apesar de a produção angolana ainda ser pequena face à dos grandes produtores do Golfo, a entrada de novos volumes de alumínio e, futuramente, de fertilizantes pode contribuir para reduzir a pressão sobre as cadeias internacionais de abastecimento.
Mais do que uma aposta industrial, a publicação interpreta estes projectos como uma oportunidade para Angola ganhar relevância estratégica no comércio internacional, transformando recursos naturais em produtos processados, empregos, receitas de exportação e maior diversificação económica.









