18 de September, 2026
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INIS reforça capacidade de Angola para diagnosticar e responder às emergências de saúde pública

Instituto confirma casos de Mpox, realiza sequenciação genómica do vírus e produz informação científica para apoiar a resposta do Ministério da Saúde

Angola está a reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e investigação de doenças que representam ameaças à saúde pública. Na resposta à Mpox, o Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS) não se limita à confirmação dos casos: realiza também a sequenciação genómica do vírus, produzindo informação que permite conhecer melhor a sua circulação no território nacional e apoiar a tomada de decisão das autoridades sanitárias.

Desde o início do surto de Mpox, em Abril de 2026, o INIS tem assegurado o diagnóstico laboratorial de amostras de casos suspeitos provenientes de diferentes províncias, no âmbito da resposta coordenada pelo Ministério da Saúde.

No laboratório, as amostras são analisadas para confirmar ou excluir a presença do vírus, sendo os resultados comunicados às autoridades de saúde para apoiar a investigação dos casos e contactos, a vigilância epidemiológica e a adopção das medidas de controlo necessárias.

A capacidade do INIS vai além da confirmação laboratorial.

O Instituto realiza igualmente sequenciação genómica, uma técnica que permite caracterizar geneticamente o vírus e comparar amostras recolhidas em diferentes pessoas, locais e momentos. Segundo a Directora-Geral do INIS, Dra. Joana de Morais, as análises realizadas pelo Instituto demonstraram que os vírus de Mpox identificados em Angola não apresentam todos as mesmas características genéticas. Esta informação permite aprofundar o conhecimento sobre a circulação do vírus no país e apoiar a investigação sobre possíveis relações entre casos registados em diferentes zonas, incluindo a análise de diferentes cadeias de transmissão e eventuais entradas do vírus a partir de outras geografias.

Os resultados são analisados em conjunto com os dados epidemiológicos recolhidos pelas equipas de saúde no terreno, contribuindo para acompanhar a evolução do surto e reforçar a vigilância, particularmente nas zonas fronteiriças e em áreas com maior circulação de pessoas.

O trabalho desenvolvido pelo INIS demonstra como a capacidade laboratorial e científica instalada em Angola pode transformar uma amostra biológica em informação estratégica para a saúde pública. O processo começa com a recolha adequada das amostras pelas equipas de saúde, passa pelo diagnóstico laboratorial e, quando indicado, pela caracterização genética do vírus, permitindo disponibilizar às autoridades sanitárias dados fundamentais para a investigação e resposta.

Esta cadeia entre diagnóstico, investigação e decisão permite ao Ministério da Saúde conhecer melhor uma ameaça epidemiológica e ajustar as medidas de resposta com base em evidências laboratoriais e epidemiológicas. Paralelamente ao diagnóstico, o INIS tem contribuído para o reforço das competências dos profissionais envolvidos na resposta à Mpox, particularmente nas áreas do diagnóstico e da vigilância laboratorial.

Entre as acções previstas estão formações dirigidas aos profissionais da linha da frente, com enfoque em biossegurança, identificação e recolha correcta de amostras, processamento laboratorial, acondicionamento, embalagem e transporte seguro do material biológico.

Segundo a Direcção-Geral do INIS, estes procedimentos são fundamentais para proteger os profissionais, reduzir o risco de contaminação e assegurar que as amostras chegam ao laboratório de referência em condições adequadas para produzir resultados fiáveis.

O fortalecimento da investigação e dos laboratórios nacionais enquadra-se na aposta do Executivo na melhoria do Sistema Nacional de Saúde, com particular atenção às capacidades de prevenção, diagnóstico, vigilância e resposta às doenças e emergências de saúde pública.

Sob orientação do Presidente da República, João Lourenço, a melhoria dos serviços de saúde tem constituído uma das prioridades da governação, incluindo o reforço das infra-estruturas, equipamentos e capacidades técnicas do sector.

No domínio da saúde, esta orientação tem sido conduzida pelo Ministério da Saúde, sob liderança da Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Paula Valentim Lutucuta, com o fortalecimento progressivo das capacidades nacionais de diagnóstico, investigação e vigilância.

A capacidade de realizar diagnósticos no país assume particular importância nas situações de emergência, ao permitir encurtar o intervalo entre a suspeita de uma doença, a sua confirmação laboratorial, a investigação epidemiológica e a adopção de medidas de controlo.

A resposta à Mpox evidencia, assim, uma das funções estratégicas do Instituto Nacional de Investigação em Saúde no Sistema Nacional de Saúde: produzir conhecimento científico a partir das amostras recolhidas no território nacional e transformar esse conhecimento em informação útil para a protecção da população.

Da confirmação laboratorial à sequenciação genómica, da formação em biossegurança à comunicação dos resultados às autoridades de saúde, o INIS participa em diferentes etapas da resposta às ameaças epidemiológicas.
Para a Dra. Joana de Morais, é através deste conjunto de acções, diagnóstico, estudo das características do vírus, formação dos profissionais e partilha de informação com as autoridades de saúde, que o Instituto contribui para compreender a evolução do surto e apoiar a tomada de decisão do Ministério da Saúde.

O fortalecimento do INIS representa a consolidação progressiva de uma capacidade nacional de diagnóstico, investigação e produção de evidências científicas para responder aos desafios sanitários do país.

A experiência da Mpox mostra, de forma concreta, o valor dessa capacidade: uma amostra recolhida numa província pode ser analisada em Angola, o vírus pode ser confirmado e geneticamente caracterizado e os resultados podem gerar informação para orientar a resposta de saúde pública.

É nesta ligação entre ciência, diagnóstico, vigilância e decisão que o INIS reforça o seu papel estratégico na protecção da saúde da população.

Fonte: GTICI- INIS/MINSA, Ministério da Saúde, Luanda, 17 de Setembro de 2026