20 de September, 2026
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Téte António defende participação estratégica de Angola na 81.ª Assembleia Geral da ONU

O Embaixador Téte António, Ministro das Relações Exteriores, defendeu esta manhã em Nova Iorque que Angola deve encarar a 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas como uma oportunidade estratégica para afirmar as suas prioridades nacionais e africanas, reforçar a sua presença diplomática e contribuir para o fortalecimento do multilateralismo.

Segundo o governante, que falava a imprensa angolana, a sessão que já está em curso e elegeu Khalilur Rahman, do Bangladesh, como Presidente da Assembleia Geral, decorre num contexto internacional marcado por conflitos, crescente tensão geopolítica, dificuldades económicas e pela necessidade de recuperar a confiança nas instituições multilaterais.

O Ministro Téte António considerou que Angola deve apresentar uma mensagem política clara sobre paz e segurança internacionais, reforma do sistema multilateral, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, financiamento ao desenvolvimento e os principais conflitos que afectam África e o mundo.

Para o chefe da diplomacia angolana “Angola não deve ir à Assembleia Geral apenas para reagir à agenda internacional; deve procurar ajudar a construí-la”. O Ministro destacou a experiência do país na resolução de conflitos, na mediação e na promoção da paz regional.

Para o Ministro Téte António, a participação angolana deve colocar as prioridades africanas no centro dos debates, com particular atenção para a paz e segurança, o combate ao terrorismo, a resolução de conflitos, a integração regional e a necessidade de uma maior representação do continente nas instituições multilaterais.

Entre as prioridades, apontou igualmente o financiamento do desenvolvimento, a questão da dívida, a segurança alimentar, as alterações climáticas, a industrialização e o reforço da participação dos países africanos nos processos internacionais de tomada de decisão.

O Ministro Téte António sublinhou, neste contexto, a importância da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendendo uma reforma efectiva do sistema multilateral que assegure maior representatividade, eficácia e credibilidade às instituições internacionais.

O Ministro indicou a paz e a segurança internacionais como uma das principais linhas da participação de Angola”, reiterando a defesa da solução pacífica dos conflitos, do diálogo e da mediação.

Segundo o Embaixador Téte António, a experiência histórica de Angola, marcada pelo conflito, pela reconciliação nacional e pela construção da paz, constitui um importante instrumento diplomático que pode ser colocado ao serviço da prevenção e resolução de conflitos no continente.

Para o governante, essa experiência deve ser transformada em “capital diplomático”, permitindo ao país projectar uma voz própria nos debates sobre paz.

Entre os objectivos de interesse nacional e continental, o Ministro Téte António destacou a promoção da candidatura da Embaixadora Josefa Sacko ao cargo de Directora-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo o titular da pasta das Relações Exteriores, a candidatura constitui um objectivo de interesse nacional e do continente africano, por ser a única candidatura endossada pela União Africana.

O Ministro Téte António salientou que a diplomacia angolana deverá combinar a defesa de princípios com uma abordagem pragmática, baseada na procura de consensos e resultados.

Entre os princípios a defender, apontou a soberania, a integridade territorial, a não ingerência nos assuntos internos dos Estados, a solução pacífica dos conflitos e o respeito pelo Direito Internacional.

Mais do que perguntar ‘o que vamos dizer na ONU?’, devemos colocar a questão: ‘Que resultados queremos trazer da ONU para Angola, para África e para a comunidade internacional?’”, afirmou.

Na sua perspectiva, esta mudança de abordagem permitirá transformar a participação angolana numa intervenção diplomática mais estratégica, capaz de gerar alianças, iniciativas e resultados que ultrapassem a Semana de Alto Nível.

“Espera-se de Angola uma participação activa, coerente e pragmática, que combine a defesa dos interesses nacionais com a promoção das prioridades africanas e o reforço do multilateralismo”, resumiu o Ministro das Relações Exteriores.