29 de October, 2026
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Embaixador destaca liderança feminina como essencial para uma paz duradoura

O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, o Embaixador Francisco José da Cruz, destacou, nesta quarta-feira, no Conselho de Segurança da ONU, o papel fundamental da liderança feminina na prevenção e resolução de conflitos, na consolidação da paz e na reconstrução pós-conflito.

O diplomata interveio no Debate Aberto Anual de Alto Nível sobre Mulheres, Paz e Segurança, subordinado ao tema Mulheres, Paz e Segurança no Próximo Quarto de Século – Cumprir a Promessa através da Implementação.

Na ocasião, defendeu a transformação dos compromissos internacionais em acções concretas e mensuráveis, salientando que, 26 anos após a adopção da Resolução 1325 (2000), a comunidade internacional deve acelerar a implementação dos compromissos assumidos, garantindo a participação plena, igualitária e efectiva das mulheres nos processos de paz e segurança.

O Embaixador Francisco José da Cruz evocou a experiência de Angola na conquista da paz, em 2002, destacando o contributo das mulheres para a reconciliação nacional, a reconstrução das comunidades e a promoção da coesão social, experiência que continua a orientar os esforços de diplomacia preventiva e mediação do país, particularmente na Região dos Grandes Lagos.

No plano nacional, destacou a aprovação da segunda geração do Plano de Acção Nacional para a implementação da Resolução 1325. através do Decreto Presidencial n.º 159/26, de 3 de Setembro de 2026, destinado a reforçar a participação das mulheres na tomada de decisões, na prevenção de conflitos e na consolidação da paz.

Sublinhou igualmente os progressos registados na representação feminina, referindo que as mulheres ocupam actualmente 41,4% dos lugares na Assembleia Nacional, 39% dos cargos ministeriais, 27% dos cargos de Governador Provincial e 30% dos postos de Embaixador, além de exercerem as funções de Vice-Presidente da República e de Presidente do Tribunal Constitucional.

Recordou ainda a realização, em Angola, nos dias 9 e 10 de Julho de 2026, do Segundo Fórum Internacional de Mulheres para a Paz e a Democracia,que reforçou os compromissos africanos com a liderança feminina, a governação inclusiva e a prevenção da violência.

Ao apresentar as quatro prioridades de Angola para os próximos 25 anos, o diplomata realçou a necessidade de assegurar a participação efectiva das mulheres nas negociações, na mediação e na implementação dos acordos de paz, bem como reforçar a sua protecção contra a violência sexual relacionada com os conflitos, garantindo a responsabilização dos perpetradores e o acesso das sobreviventes à justiça, aos cuidados de saúde e ao apoio psicossocial.

Apontou igualmente a importância de investir na prevenção de conflitos, através de mecanismos de alerta precoce liderados por mulheres, do diálogo comunitário e de iniciativas de combate à exclusão e às desigualdades.

Como quarta prioridade, defendeu uma recuperação pós-conflito mais inclusiva, com acesso equitativo das mulheres à assistência humanitária, às oportunidades económicas e aos processos de reconstrução, acompanhada de financiamento previsível para os Planos de Acção Nacionais e para as organizações da sociedade civil lideradas por mulheres.

O Representante Permanente de Angola sublinhou que a concretização destas prioridades exige o reforço das parcerias entre as Nações Unidas, a União Africana, as organizações regionais e os Estados-Membros, sustentadas por recursos adequados e mecanismos regulares de avaliação.

A concluir, reafirmou o compromisso de Angola com a implementação da Agenda Mulheres, Paz e Segurança, salientando que os resultados devem traduzir-se numa maior participação das mulheres na construção da paz, na protecção efectiva dos seus direitos e em transformações positivas e duradouras nas comunidades.