Ministra da Saúde reforça cooperação com a Sérvia e abre novas perspectivas para a indústria farmacêutica e formação de quadros em Angola
A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, reafirmou, nesta Quarta-feira, 19 de Agosto, em Belgrado, a importância do aprofundamento da cooperação entre Angola e a República da Sérvia no domínio da saúde, com prioridade para a formação de quadros, assistência técnica, transferência de tecnologia, investigação, inovação e desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional.
A posição foi expressa durante o encontro mantido pela governante com responsáveis Galenica, no encerramento da visita da delegação angolana às instalações da empresa farmacêutica, no âmbito da missão oficial que cumpre na Sérvia.
A ministra esteve acompanhada pelo Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola na República da Sérvia, Eduardo Octávio, por membros da delegação do Ministério da Saúde e por representantes da Missão Diplomática de Angola em Belgrado.
O encontro permitiu aprofundar os contactos estabelecidos durante a visita à unidade industrial e avaliar possibilidades de cooperação capazes de apoiar a estratégia angolana de produção nacional de medicamentos.
Na ocasião, Sílvia Lutucuta agradeceu a recepção proporcionada à delegação angolana e destacou os laços históricos de amizade entre Angola e a Sérvia, recordando que a cooperação bilateral no sector da saúde inclui, há décadas, a formação de profissionais angolanos, a assistência técnica e o tratamento de doentes na antiga Jugoslávia e, posteriormente, na Sérvia.
Segundo a ministra, a relação entre os dois países deve entrar numa nova etapa, orientada para a criação de capacidades que permitam a Angola responder aos desafios actuais do sistema de saúde e reduzir a dependência externa em áreas estratégicas.
“Nós também queremos a indústria farmacêutica”, afirmou a governante, defendendo o reforço da capacidade nacional de produção de medicamentos.
A visita à Galenica permitiu à delegação angolana conhecer directamente uma experiência industrial consolidada e avaliar possibilidades de adaptação de modelos de produção e cooperação ao contexto nacional.
Sílvia Lutucuta considerou igualmente relevante a dimensão internacional da empresa, nomeadamente a ligação empresarial ao Brasil e a sua inserção no mercado europeu. O Director-Geral da empresa, Ricardo Vian Marques, destacou a importância da visita da delegação angolana e recordou contactos anteriores com autoridades do país, incluindo deslocações a Angola para analisar possibilidades de instalação e desenvolvimento de um projecto semelhante.
Segundo explicou, a presença da empresa na Sérvia teve início em 2018, após a aquisição de uma empresa local em 2017, permitindo posteriormente a expansão da actividade na região dos Balcãs e para outros mercados europeus.
Para Angola, a experiência poderá abrir espaço a um modelo de cooperação que combine conhecimento industrial e científico, capacidade produtiva, experiência empresarial e prioridades nacionais no sector farmacêutico.
A eventual parceria poderá abranger transferência de tecnologia, formação de quadros, investigação e desenvolvimento, produção, controlo de qualidade, regulação e desenvolvimento de produtos.
A ministra sublinhou que Angola pretende ir além da aquisição de medicamentos e da assistência técnica. O objectivo é criar competências nacionais capazes de sustentar, a médio e longo prazo, uma verdadeira indústria farmacêutica.
Nesse sentido, a capacitação de profissionais deverá acompanhar qualquer iniciativa de investimento, garantindo a existência de quadros especializados em áreas como produção, controlo de qualidade, investigação, gestão industrial, regulação e desenvolvimento de produtos.
A composição da delegação angolana reflectiu precisamente essa abordagem multidisciplinar, integrando representantes do Ministério da Saúde, da entidade reguladora de medicamentos, da Inspecção-Geral, do Instituto de Especialização em Saúde, do gabinete de intercâmbio e de estruturas responsáveis pela formação de recursos humanos, entre outras áreas do sector.
Após a visita à unidade farmacêutica, a ministra deslocou-se à Embaixada de Angola na República da Sérvia, onde realizou actividades institucionais e manteve um encontro com estudantes angolanos de Medicina.
O encontro surgiu na sequência de uma solicitação apresentada pelos próprios estudantes, que aproveitaram a presença da governante em Belgrado para partilhar preocupações e expectativas relacionadas com a formação, os estágios e o futuro enquadramento profissional em Angola.
Durante a sessão, os estudantes apresentaram as respectivas áreas e anos de formação e colocaram questões sobre a continuidade da formação, o ingresso no sistema público de saúde e o acesso aos programas de especialização.
Sílvia Lutucuta valorizou o contacto com os jovens e destacou a responsabilidade associada à formação no estrangeiro.
A ministra incentivou os estudantes a aproveitarem os períodos de férias para realizar estágios e contactos práticos nas unidades sanitárias angolanas, de modo a manterem uma ligação directa com a realidade clínica do país.
Segundo a governante, a rede sanitária nacional oferece oportunidades de contacto com diferentes níveis de assistência, desde os cuidados primários até às unidades hospitalares de maior complexidade.
A ministra alertou igualmente para a necessidade de uma formação médica abrangente. As diferenças epidemiológicas entre países, explicou, não devem limitar a preparação dos futuros profissionais, que deverão estar capacitados para reconhecer e responder a diferentes patologias.
Uma das principais preocupações apresentadas pelos estudantes esteve relacionada com o enquadramento profissional dos médicos formados no estrangeiro.
Em resposta, Sílvia Lutucuta esclareceu que o ingresso na função pública, incluindo no sector da saúde, é feito, em regra, através de concursos públicos.
Os profissionais deverão acompanhar os mecanismos de recrutamento, cumprir os requisitos estabelecidos e concorrer às vagas disponibilizadas, sendo o enquadramento efectuado de acordo com os resultados e procedimentos definidos.
A governante recordou experiências anteriores de integração de profissionais formados no exterior e aconselhou os estudantes actualmente na Sérvia a prepararem-se desde já para os futuros processos de recrutamento.
Durante o encontro, a ministra informou ainda que Angola está a implementar um programa de formação de recursos humanos em saúde, financiado pelo Banco Mundial, no valor aproximado de 200 milhões de dólares, para um período de cinco anos.
O programa visa reforçar a formação especializada e contínua dos profissionais, estando o acesso às oportunidades condicionado pela articulação entre a formação disponibilizada e as necessidades do sistema.
A governante aconselhou os estudantes a acompanharem os concursos e programas lançados pelo Ministério da Saúde e a conhecerem antecipadamente os critérios de acesso.
Defendeu igualmente a importância da formação contínua, incluindo cursos de curta duração e outras modalidades de actualização profissional.
No encerramento do encontro, o *Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Angola na República da Sérvia, Eduardo Filomeno Leiro Octávio agradeceu a presença da ministra, da delegação do Ministério da Saúde e dos estudantes, reafirmando a importância da comunidade estudantil angolana para a Missão Diplomática.
O diplomata destacou as raízes históricas das relações entre Angola e a Sérvia e considerou que a actual dinâmica bilateral deve transformar esse legado em projectos concretos e resultados para os dois povos.
“Estamos a colocar mais um tijolo no grande edifício das nossas relações históricas”, afirmou.
Para Eduardo Octávio, a vontade política constitui apenas o ponto de partida. A concretização das parcerias exige acção, persistência, resiliência e capacidade de execução.
Dirigindo-se particularmente aos estudantes, o diplomata destacou que a formação no exterior representa um investimento das famílias, do Estado e de outras entidades que apoiam os jovens.
Por isso, apelou à responsabilidade, patriotismo, dedicação e compromisso com Angola, defendendo que o conhecimento adquirido no estrangeiro deve ser transformado em valor para o desenvolvimento nacional.
O embaixador incentivou os estudantes a procurarem não apenas um diploma, mas também uma trajectória de excelência como: professores, investigadores, cientistas, especialistas e profissionais de referência.
“Estudem, investiguem e continuem a luta”, foi uma das principais mensagens deixadas aos estudantes.
O Embaixador assegurou que a Embaixada de Angola na República da Sérvia continuará disponível para acompanhar a comunidade estudantil angolana.
A Missão Diplomática deverá manter-se como ponto de ligação entre os estudantes, as instituições angolanas e as autoridades sérvias, contribuindo para o aproveitamento da experiência de formação no exterior. Eduardo Octávio defendeu ainda a adopção de hábitos de vida saudáveis e recordou que a promoção da saúde e a prevenção constituem responsabilidades individuais e colectivas.
Na fase final da missão oficial, que termina nesta Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026, a ministra agradeceu a recepção proporcionada pelas autoridades sérvias, pela empresa e pela Missão Diplomática de Angola.
No final das actividades na Embaixada, Sílvia Lutucuta assinou o Livro de Honra da Embaixada de Angola na República da Sérvia, assinalando a passagem da delegação pela Missão Diplomática.
A visita deixa como principal desafio a transformação das relações históricas entre Angola e a Sérvia em projectos concretos, capacidade produtiva, conhecimento e benefícios duradouros para os cidadãos angolanos.









