27 de September, 2026
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Embaixada de Angola no Reino de Marrocos realiza webinar sobre o legado de Agostinho Neto

A Embaixada da República de Angola no Reino de Marrocos realizou, na sexta-feira, 25, um webinar dedicado ao legado de António Agostinho Neto, no quadro das comemorações do Dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional, assinalado a 17 de Setembro e cujas celebrações decorrem até 30 de Setembro.

Sob o lema oficial “Voltemos aos Nossos Campos para o Aumento da Produção Agrícola”, o encontro assinalou o centésimo quarto aniversário do nascimento do primeiro Presidente da República de Angola e foi aberto pelo Embaixador José Filipe, que destacou a oportunidade de revisitar a vida e o pensamento de Neto nas suas dimensões de médico, político, poeta e humanista.

“Efemérides como esta dão-nos esta oportunidade para pensar o País, onde quer que estejamos”, afirmou.

José Filipe destacou também a relação entre o lema das comemorações deste ano e o célebre poema “Havemos de Voltar”, tendo considerado que o estudo em torno das diferentes facetas de Agostinho Neto “convoca todos a um momento de reflexão sobre como o Povo Angolano construiu a sua alma” no percurso histórico que conduziu à Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

O alcance desse legado foi abordado pelo sociólogo e historiador angolano Cornélio Caley, que, na sua prelecção com o tema “O ‘Havemos de Voltar’ em Agostinho Neto”, analisou a vida, a obra e o pensamento político do primeiro Presidente de Angola, situando a sua produção poética no contexto da Luta de Libertação e da construção da consciência nacional.

“Neto nutriu-se de esperança que, pouco a pouco, se foi transformando em algo sagrado na sua vida.

Esperança de ver livres os trabalhadores dos cafezais, esperança de ver as crianças a estudar, esperança de ver Angola libertada e transformada em trincheira firme da revolução em África”, realçou o académico.

Por outro lado, Cornélio Caley referiu-se à actualidade do pensamento de Agostinho Neto e defendeu a recuperação dos valores presentes na trajectória política e intelectual do primeiro estadista angolano, tendo chamado a atenção para a importância da transmissão desse legado às novas gerações.

A projecção do “Havemos de Voltar” para além do contexto angolano esteve igualmente presente na intervenção de Meryem Belcadi, Professora da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da Universidade Mohammed V de Rabat, que apresentou a experiência de utilização do poema no ensino do Português a estudantes marroquinos.

Segundo a académica marroquina, a obra permite abordar, no contexto universitário, questões relacionadas com a identidade colectiva, a memória e o colonialismo junto de estudantes com um repertório linguístico que inclui o Árabe, o Francês e o Inglês. Meryem Belcadi explicou ainda que o trabalho pedagógico desenvolvido a partir do poema de Agostinho Neto percorre diferentes níveis de compreensão e interpretação, permitindo aos estudantes estabelecer relações entre a experiência histórica angolana representada na obra e o seu próprio contexto.

O webinar contou ainda com a participação da Professora Maria de Lourdes Bravo, representantes da Associação de Guias Turísticos de Angola e membros da comunidade angolana residente no Reino de Marrocos, que acompanharam a prelecção em torno da obra e do legado de Agostinho Neto.

A dimensão histórica das relações entre Angola e Marrocos também mereceu destaque no encontro, com referências ao apoio marroquino à Luta de Libertação Nacional e aos contactos de Agostinho Neto com o Reino de Marrocos durante esse período. No actual quadro das relações bilaterais, foram realçadas as várias iniciativas nos domínios económico, institucional e académico, no quadro do aprofundamento da cooperação entre os dois países.