3 de October, 2026
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Redução da biodiversidade merece particular atneção, alerta angolano na Diáspora

 

O concidadão Luinduila Kilton, radicado na Hungria, alertou o facto de a redução da biodiversidade constituir uma questão que merece particular atenção.

Conforme o ambientalista, isto deve-se sobretudo perante a ameaça à espécies como a Palanca Negra Gigante e  os impactos da exploração dos recursos naturais.

Luinduila Kilton ressalta que o contributo do cidadão para Angola começa antes do regresso ao país.

Natural do bairro Palanca, em Luanda, Luinduila Kilton Paulo André construiu o seu percurso académico e profissional movido pela convicção de que a formação é uma das principais ferramentas para transformar vidas e contribuir para o desenvolvimento do país.

Licenciado em Engenharia Ambiental, frequenta actualmente o mestrado em Engenharia de Desenvolvimento Rural, na Universidade Húngara de Agricultura e Ciências da Vida, na Hungria.

Nascido a 20 de Abril de 2000, Luinduila cresceu numa família humilde, onde desde cedo aprendeu que a educação seria fundamental para alcançar os seus objectivos.

Considera-se uma pessoa curiosa, humilde e com vontade permanente de aprender.

Ao longo do seu percurso, tem procurado complementar a formação académica com cursos, experiências profissionais e participação em investigações ligadas às áreas que despertam o seu interesse.

A sua passagem pela Engenharia Ambiental surgiu da preocupação com alguns dos principais desafios enfrentados por Angola e pelo continente africano, entre os quais a gestão de resíduos sólidos, a poluição da água, do ar e do solo, a desflorestação, as alterações climáticas e a perda da biodiversidade.

Da Engenharia Ambiental ao desenvolvimento rural
Apesar da formação em Engenharia Ambiental, Luinduila decidiu ampliar o seu campo de conhecimento e actualmente frequenta um mestrado em Engenharia de Desenvolvimento Rural.

A escolha está relacionada com o interesse pelo sector agrícola, pelo desenvolvimento das comunidades rurais e pelos chamados agronegócios.

Segundo o jovem, Angola possui condições naturais e humanas que podem ser mais bem aproveitadas, desde os recursos hídricos e a extensão de terras disponíveis para a agricultura até à existência de uma população jovem que pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento económico e social.

“Olhei para o campo agrícola e para a vida social nessas regiões e, pensando também na economia, surgiu este interesse de olhar mais para os agronegócios”, explica.

A conjugação das duas áreas de formação permite-lhe, segundo o próprio, adoptar uma visão mais abrangente sobre os desafios do desenvolvimento.

Esclarece que a Engenharia Ambiental permite-lhe trabalhar com gestão ambiental, recursos naturais e alterações climáticas, enquanto a Engenharia de Desenvolvimento Rural permite-lhe olhar para os agronegócios, uma combinação que acrescenta uma dimensão económica e social e que o país precisa.

Na sua perspectiva, Angola precisa de diversificar a economia e reduzir a excessiva dependência do petróleo, apostando igualmente na agricultura, no aproveitamento sustentável dos recursos naturais e no desenvolvimento das comunidades.

O sonho de trabalhar no sector petrolífero
Antes de se dedicar às áreas ambiental e rural, Luinduila alimentou, desde cedo, o sonho de seguir Engenharia de Petróleo.

O interesse nasceu ainda na infância, influenciado pelo percurso profissional dos tios ligados ao sector petrolífero.

Diz que via fotos e vídeos destes membros da família nas plataformas e a maneira como abordavam determinados assuntos relacionados com o sector petrolífero, o que despertava em si o interesse em querer fazer Engenharia de Petróleo, recorda.

Mais tarde, teve a oportunidade de dar os primeiros passos no sector como técnico de perfuração de petróleo e gás.

A experiência permitiu-lhe conhecer de perto as operações industriais e compreender a importância da segurança, do rigor e da responsabilidade num ambiente profissional de elevada exigência.

“Na indústria, a segurança está em primeiro lugar. Há necessidade de termos aquele senso de rigor e responsabilidade, porque pequenos erros podem levar a consequências significativas”, sublinha.

A experiência também lhe permitiu trabalhar directamente com profissionais da área e adaptar-se a um ambiente técnico e operacional.

Investigação e preocupação com a biodiversidade

A investigação científica também passou a fazer parte do percurso de Luinduila.

Entre os trabalhos de que participou, está a publicação intitulada Biodiversity decline: Consequences of climate change and intensive agriculture, na qual surge como co-autor.

Na publicação, Angola é abordada como caso de estudo, numa reflexão sobre a relação entre alterações climáticas, práticas agrícolas intensivas e perda da biodiversidade.

Para o jovem investigador, compreender estas relações é fundamental para encontrar soluções que permitam conciliar a produção agrícola com a preservação dos recursos naturais.

Actualmente, além da formação académica, realiza um estágio profissional integrado num projecto da Universidade Húngara de Agricultura e Ciências da Vida, denominado SIA Garden, onde participa em actividades relacionadas com a produção de diferentes produtos agrícolas e presta igualmente apoio em questões administrativas.

Adaptar-se à vida na Hungria
A mudança de Angola para a Hungria representou um desafio significativo.

Para além da distância do país de origem, Luinduila teve de lidar com uma nova língua, cultura e sistema académico, num processo gradual.

Apesar das dificuldades iniciais, a experiência internacional permitiu-lhe conhecer outras formas de ensino e investigação, uma das principais razões que o levaram a deixar Angola.

A decisão, esclarece, nunca significou abandonar o país, mas deve-se tão só ao desejo  de muito aprender e tornar-se mais independente.

Construir pontes entre Angola e a Hungria
Para Luinduila, os jovens angolanos que estudam no exterior não precisam de esperar pelo regresso ao país para começar a contribuir para o seu desenvolvimento.

Assim sendo, defendeu, o contributo dos jovens angolanos na diáspora  não deve começar quando regressam ao país, mas a partir do local onde estão radicados.

Considera importante estabelecer pontes entre instituições internacionais e angolanas, participar em formações e projectos de investigação e facilitar o acesso de outros estudantes às oportunidades académicas existentes no estrangeiro.

Segundo conta, já teve a oportunidade de apoiar alguns estudantes angolanos que posteriormente conseguiram chegar à Hungria para prosseguir os seus estudos e a sairem-se muito bem actualmente.

Angola no centro das prioridades
Apesar de viver na Europa, Luinduila garante que Angola continua a ocupar um lugar central na sua vida.

“Angola continua a fazer parte das minhas prioridades e sempre fará parte das minhas prioridades, porque é o meu país”, declara.

O jovem afirma acompanhar regularmente as notícias e os acontecimentos económicos, ambientais e sociais de Angola, mantendo também contacto com familiares e amigos no país, reafirmando que Angola está no seu coração.

A ligação ao país manifesta-se igualmente nos seus projectos para o futuro.

Entre os principais objectivos, está a conclusão de um projecto agrícola na província do Uíge, numa área de cerca de 500 hectares.

A intenção é destinar parte da área à produção de feijão e outra parte à produção de banana para comercialização, sendo que o objectivo é ajudar no combate à fome, porque “essa responsabilidade não é simplesmente do Governo”, mas também.

Além de contribuir para a produção agrícola, pretende que o projecto possa gerar emprego e criar oportunidades para outras pessoas.

Apesar das oportunidades encontradas no estrangeiro, Luinduila não hesita quando fala sobre o futuro e reitera o desejo de regressar a Angola.

“Eu amo Angola. Sinto saudades de Angola todos os dias. Aqui há prédios bonitos e zonas muito atractivas, mas, ainda assim, prefiro estar em Angola”, confessa.

O regresso, porém, não significa abandonar os conhecimentos e experiências adquiridos no estrangeiro.

Pelo contrário, pretende utilizar a formação e as competências adquiridas internacionalmente para desenvolver projectos e contribuir para o país.

Um apelo aos jovens angolanos

A sua própria experiência serve de inspiração para a mensagem que deixa aos jovens angolanos que procuram oportunidades académicas e profissionais.

Luinduila considera que muitos jovens deixam de concorrer a bolsas de estudo ou oportunidades de trabalho por acreditarem antecipadamente que as vagas já estão destinadas a outras pessoas.

A sua experiência, diz, demonstra a importância de continuar a tentar.

“Meus irmãos jovens angolanos, vão à luta. Não desistam dos vossos sonhos”, apela.

O jovem conta que chegou a candidatar-se a várias bolsas de estudo antes de conseguir concretizar o sonho de estudar no estrangeiro.

Conta que por dia podia candidatar-se a dez bolsas de estudo e, no final, quando menos esperava, ganhou três ou quatro bolsas, tendo escolhido a Hungria porque lhe oferecia maior conforto, relata.

Para Luinduila, a persistência, a dedicação e a fé foram determinantes para concretizar o seu projecto académico, porque afirma não ter precisado da ajuda de ninguém, mas chegou a Hungria pelos seus esforços, dedicação e por Deus.

Com uma formação que cruza ambiente, agricultura e desenvolvimento rural, Luinduila Kilton Paulo André procura, assim, construir uma trajectória internacional sem perder de vista as necessidades de Angola.

Entre a investigação, a formação e os projectos agrícolas, mantém como horizonte o regresso ao país e a aplicação dos conhecimentos adquiridos além-fronteiras.

Para ele, a experiência na Hungria não representa uma ruptura com Angola, mas uma etapa de preparação para, no futuro, levar novos conhecimentos, criar oportunidades e participar activamente no desenvolvimento do país.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)