6 de October, 2026
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Ministra das Pescas de Angola reforça posicionamento estratégico global na abertura do XIV Congresso Internacional CONXEMAR-FAO em Vigo

A Ministra das Pescas e Recursos Marinhos da República de Angola, Carmen do Sacramento Neto dos Santos, participa esta semana, em Vigo, na 27.ª Feira Internacional de Produtos do Mar Congelados (CONXEMAR 2026).

No arranque oficial da agenda, a governante assumiu um papel de grande protagonismo na abertura do XIV Congresso Internacional CONXEMAR-FAO-MAPA, que decorre hoje, dia 5 de outubro, na sede da Afundación, sob o lema “Smart Blue Leadership”.

A comitiva angolana neste prestigiado fórum global conta com a presença e o acompanhamento direto da Embaixadora de Angola num Reino de Espanha, Balbina Malheiros Dias da Silva, cuja participação ao lado da ministra reforça o forte apoio diplomático e o peso institucional do país nesta missão estratégica na Europa.

A abertura oficial do congresso, focado na eficiência, inteligência artificial e padrões globais para a sustentabilidade da indústria, contou com uma intervenção de Eloy Alvariza, Presidente da Conxemar, que deu o sinal de partida para uma das semanas mais cruciais para o setor pesqueiro mundial.

Como oradora convidada no painel dedicado ao tema “Level Playing Field Global | Cómo conseguir un equilibrio sostenible”, a Ministra Carmen do Sacramento Neto apresentou a visão estratégica de Angola face aos desafios da transformação digital, rastreabilidade e comércio internacional justo.

Na sua intervenção, a governante declarou: “É com grande honra que participo neste painel crucial sobre o papel da inteligência artificial e da rastreabilidade digital na transformação do setor pesqueiro mundial.

Em representação de Angola, e em nome dos países em desenvolvimento, quero destacar o trabalho e os esforços efetivos que temos realizado em prol da Economia Azul.

Na nossa visão, a sustentabilidade dos mares não é um custo, mas sim o investimento mais estratégico para o futuro das nossas nações. Historicamente, estes passos exigiram um esforço financeiro imenso, suportado diretamente com recursos do Tesouro Nacional e sob a valiosa orientação técnica da FAO.

Contudo, para darmos o próximo salto tecnológico, impõe-se que os parceiros globais e os mecanismos de financiamento internacional se juntem a nós na mobilização de mais recursos para este efeito.

A transformação em Angola assenta, em primeiro lugar, na gestão de dados e na investigação científica.

Angola tem vindo a investir de forma paulatina na gestão de dados pesqueiros, contando hoje com um histórico robusto de quase 40 anos de dados biológicos e de capturas.

Com o apoio da FAO e a criação de bancos científicos de dados, estamos a transformar este património histórico em conhecimento acionável para garantir uma gestão de pescas verdadeiramente sustentável.

A nossa segunda prioridade absoluta é o combate cerrado à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. Hoje, o Estado angolano utiliza recursos próprios para se colocar na vanguarda tecnológica global, implementando a fiscalização via satélite para monitorizar frotas inteiras.

Queremos garantir a total rastreabilidade das nossas águas e saber, com precisão, quem pesca, onde pesca e o que traz a bordo.

Esta ambição tecnológica é fortalecida por parcerias estratégicas regionais e internacionais, destacando-se a cooperação no seio da SADC, a colaboração com um instituto de Moçambique e a forte parceria com o MAPA de Espanha, estando também em curso um projeto de atualização de equipamentos com uma empresa do País Basco.

A pesca em Angola, e em África no geral, tem uma força social e económica avassaladora, e o nosso grande objetivo com a Inteligência Artificial é a democratização do acesso à tecnologia.

O Estado Angolano está a investir num programa evolutivo baseado em IA que permita ao pescador, através de um simples aparelho de telemóvel, registar e rastrear a sua atividade.

Queremos colocar Angola num patamar de paridade global na entrega de produtos haliêuticos.

O mundo exige conformidade e rastreabilidade digital, e Angola responde com o uso da inteligência oficial para garantir que o peixe pescado nas nossas águas cumpre os mais rigorosos padrões da União Europeia, onde Espanha participa como um parceiro fundamental na pesca artesanal.

Toda esta tecnologia tem, acima de tudo, um profundo foco social para ajudar as comunidades. Como meta de combate à pobreza, a lei em Angola protege a pesca artesanal e só permite barcos de até 13 metros nesta atividade, garantindo a sustentabilidade das famílias.

Sabemos que a proteína animal de origem aquática é o combustível essencial para o crescimento da população e para a melhoria cognitiva das nossas crianças.

Por isso, desenhámos políticas públicas fortes para a aquicultura e para a produção de tilápias, assegurando uma resposta alimentar sustentável para as gerações vindouras.

Trabalhamos de forma frontal com parceiros como o Japão, a China e Espanha, provando que a tecnologia e a responsabilidade ecológica andam de mãos dadas para o futuro da nossa pesca.”

No encerramento da sua prelecção, a Ministra do sector destacou a importância estratégica da conectividade entre sistemas e da interatividade global, reafirmando a cooperação como o elo fundamental que une as duas nações.

Na sua alocução no painel principal, a dirigente angolana partilhou o palco com referências globais como a Dra. María Neira (Diretora de Saúde Pública e Ambiente da OMS) e representantes seniores da FAO e do Banco Mundial, de quem recebeu forte apoio pelo compromisso demonstrado com a investigação científica e a segurança alimentar.

A participação de Angola reflete a forte projeção internacional que a governante consolidou recentemente na sede da FAO, em Roma, durante a 37.ª Sessão do Comité de Pescas (COFI37).

Na altura, o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, enalteceu o expressivo crescimento da aquicultura em Angola, cuja produção de tilápia atingiu a marca histórica de 35 mil toneladas em 2025.

Paralelamente aos debates do painel principal, a agenda diplomática de Angola registou um avanço significativo com a realização de uma reunião bilateral estratégica.

Após o fórum, a Ministra Carmen do Sacramento Neto, acompanhada pela Embaixadora Balbina Malheiros Dias da Silva, reuniu-se com a Secretária Geral das Pescas de Espanha, Isabel Artime.

No encontro, a governante angolana reforçou as linhas de cooperação mútua e apresentou o inovador Projeto Calunga, atualmente a cargo da Satec, uma iniciativa amplamente elogiada pela homóloga espanhola, que enalteceu a dedicação de Angola aos assuntos marítimos e reiterou a total abertura de Espanha para apoiar e consolidar, de forma contínua, estas sólidas relações bilaterais.

A delegação nacional aproveitou ainda a reunião para estreitar o equilíbrio sustentável no comércio de produtos de origem aquática, preparando o terreno para a captação de investimento tecnológico direcionado à frota e às indústrias transformadoras angolanas.

Esta componente económica será reforçada na próxima quarta-feira, 7 de outubro, com a participação da comitiva oficial no Fórum de Negócios em Economia Azul.

Com esta forte presença governamental, diplomática e comercial no primeiro dia de trabalhos, Angola reafirma-se como um parceiro fundamental na vanguarda da economia azul e no desenvolvimento pesqueiro sustentável.