24 de May, 2026
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Embaixador Francisco José da Cruz intervém em nome do Grupo Africano no Fórum de Parcerias ECOSOC 2026

O Grupo Africano, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, apelou esta quarta-feira, 28, para “parcerias previsíveis, transparentes e responsáveis”.

Ao intervir em nome do Grupo Africano, o Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Embaixador Francisco José da Cruz, disse que essas parcerias devem ser focadas na obtenção de resultados concretos no terreno, especialmente para as comunidades mais vulneráveis.

O diplomata angolano, que falava no plenário do Fórum de Parcerias do ECOSOC 2026, sublinhou que as parcerias eficazes devem estar plenamente alinhadas com as estratégias de desenvolvimento nacionais e regionais, incluindo a Agenda 2063, as prioridades lideradas pelos países e as estruturas da União Africana.

Destacou o facto de África albergar a população mais jovem do mund*, realçando que as parcerias eficazes são essenciais para tirar partido do dividendo demográfico, especialmente através de investimentos no desenvolvimento de competências, inovação, acesso à energia e cidades sustentáveis.

Reiterou que para África, a Agenda 2030 e a Agenda 2063 da União Africana são estruturas complementares e que se reforçam mutuamente, reflectindo uma visão partilhada de crescimento inclusivo, transformação estrutural, resiliência e desenvolvimento sustentável.

“Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável em revisão em 2026, nomeadamente os ODS 6, 7, 9, 11 e 17, são centrais nas prioridades de desenvolvimento de África”, enfatizou.

Durante a sua intervenção, o Embaixador Francisco José da Cruz fez saber que o progresso nestas áreas tem sido desigual, não por falta de compromisso político por parte dos países africanos, mas devido a “persistentes restrições estruturais nos meios de implementação, incluindo espaço fiscal severamente limitado”, níveis insustentáveis de endividamento e acesso desigual a financiamento, tecnologia e capacitação.

Neste contexto, alertou que as parcerias devem ir além das abordagens baseadas em projectos e contribuir para a transformação estrutural a longo prazo, incluindo a industrialização, a transição energética, o desenvolvimento de infra-estruturas e a urbanização sustentável.

A título de exemplo, referiu que a Área de Comércio Livre Continental Africana ilustra como as parcerias estratégicas podem aprofundar as cadeias de valor regionais, promover a industrialização inclusiva e aumentar a resiliência económica.

Salientou que o Grupo Africano considera a revisão do ECOSOC e do Fórum Político de Alto Nível, bem como as discussões no âmbito da Iniciativa ONU 80, como importantes oportunidades políticas para reforçar o papel do ECOSOC como plataforma central para a coordenação, a coerência e o acompanhamento eficaz do desenvolvimento sustentável no sistema das Nações Unidas.

Ao concluir, reiterou o compromisso do Grupo Africano em promover parcerias eficazes para aumentar a sinergia “dos nossos esforços conjuntos para a implementação da Agenda 2063 e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.

De acordo com o Embaixador Francisco José da Cruz, o reforço da coordenação em todo o sistema das Nações Unidas aumenta a eficiência, reduz a fragmentação e maximiza o impacto das operações de desenvolvimento, humanitárias e de consolidação da paz.

Ao intervir no Segmento de Coordenação do Ecosoc-edição 2026, que decorre até sexta-feira, 30, o diplomata angolano sublinhou a necessidade de um planeamento estratégico em todo o sistema e do Coordenador Residente da ONU como ponto focal, alinhando todas as agências de desenvolvimento da ONU a nível nacional com as necessidades nacionais no centro, para evitar a duplicação e aumentar a eficácia.

Ressaltou que a coordenação é uma condição essencial para traduzir os compromissos globais em resultados tangíveis com impacto significativo no quotidiano das pessoas, através do acesso a energia e a infra-estruturas que apoiem a actividade produtiva e criem oportunidades económicas.

Neste sentido, recordou a intervenção do Presidente João Lourenço, proferida aquando da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, em Setembro de 2025, tendo sublinhado que o desenvolvimento sustentável deve assentar no reforço da capacidade produtiva, da industrialização e das infraestruturas, apoiado por financiamento adequado e previsível e por parcerias eficazes.

Reiterou que o acompanhamento da Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4) e a implementação do Compromisso de Sevilha assumem particular importância, enquanto estruturas centrais para alinhar o financiamento, as políticas públicas e as prioridades nacionais, bem como os meios de implementação adequados para transformar os compromissos internacionais em ações concretas no terreno.

Por fim, o Embaixador Francisco José da Cruz manifestou séria preocupação pelo facto de os compromissos e os fluxos de financiamento se manterem fragmentados, dificultando a sua tradução em resultados concretos a nível nacional.