30 de August, 2026
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Angola presente na inauguração do monumento dedicado aos ancestrais da família Tucker nos EUA

A República de Angola participou, este sábado (29), em Fort Monroe, na cerimónia de inauguração do monumento dedicado a Antoni e Isabela e ao seu filho William, ancestrais da família Tucker e figuras ligadas à história dos primeiros angolanos documentados que chegaram à Virgínia no início do século XVII.

Angola esteve representada pelo Ministro da Cultura, Filipe Zau, e pelo Embaixador da República de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Van-Dúnem, acompanhados por membros da comunidade angolana residente nos Estados Unidos da América, que se associaram a este importante momento de celebração da memória histórica comum.

A cerimónia, realizada no âmbito das celebrações do African Landing 2026, constituiu um momento de elevado significado histórico e simbólico, ao perpetuar a memória dos africanos trazidos para a Virgínia em circunstâncias marcadas pela violência, pela privação da liberdade e pelo sofrimento, mas cuja trajectória representa igualmente resiliência, dignidade, sobrevivência e esperança.

A presença do monumento em Fort Monroe reveste-se de particular simbolismo pela ligação deste território à chegada, em 1619, dos primeiros africanos documentados à então colónia inglesa da Virgínia, entre os quais se encontravam pessoas oriundas da região que corresponde à actual Angola.

A homenagem a Antoni, Isabela e William permite conferir nomes, rostos e dimensão humana a uma história com mais de quatro séculos. Através dos seus descendentes, particularmente da família Tucker, essa memória permanece viva e constitui hoje um importante património histórico partilhado.

Para Angola, esta história evidencia igualmente que os laços entre Angola e os Estados Unidos da América são muito anteriores ao estabelecimento das relações diplomáticas formais entre os dois países. Antes da diplomacia, já existia uma ligação humana e histórica, construída pelas vidas e pelo legado dos angolanos que chegaram a estas terras e dos seus descendentes.

A participação de Angola nas celebrações do African Landing insere-se, assim, no esforço de preservação e valorização desta memória comum, bem como no aprofundamento do conhecimento sobre as raízes históricas que unem os povos angolano e americano.

A inauguração do monumento representa não apenas um acto de memória sobre um dos períodos mais dolorosos da história, mas também uma afirmação da capacidade humana de resistir, preservar a dignidade e transmitir, através das gerações, um legado que o tempo não apagou.

Mais de quatro séculos depois, Fort Monroe permanece como um lugar de memória e de reencontro com uma história que liga Angola aos Estados Unidos da América muito antes do início das suas relações diplomáticas.