Embaixadora Maria de Jesus Ferreira representa PR João Lourenço no 4.º Fórum de Negócios África-Portugal, no Porto
A Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República de Angola na República Portuguesa, Maria de Jesus Ferreira, em representação de sua Excelência O Presidente da República de Angola, Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, participou nos dois últimos dois dias no 4º Fórum de Negócios África-Portugal, que decorreu em Leça da Palmeira, arredores da cidade do Porto.
O evento, uma parceria entre a Associação Empresarial de Portugal e a FOGECA (Forum des Opératours pour la Garantie de l’Emergence), contou com a participação de representantes de diversos países da África Ocidental, num programa composto por painéis de debates, acções de networking e uma visita às instalações da empresa portuguesa, Mota-Engil.
Na sua intervenção, a Embaixadora Maria de Jesus Ferreira começou por saudar a Associação Empresarial de Portugal e a FOGECA pela promoção desta iniciativa, bem como os representantes das instituições, os empresários e os investidores presentes, considerando que o encontro “proporciona uma oportunidade para aprofundarmos o diálogo económico entre África e Portugal e para identificarmos parcerias capazes de gerar investimento, emprego e desenvolvimento”, agradecendo, “a referência ao endereçarem-nos o convite à Angola por ocupar uma posição estratégica na dinâmica económica e geopolítica do Continente, sob a liderança do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço ao promover a visão ambiciosa de diversificação económica, o desenvolvimento de infraestruturas, a atracção de investimentos e fortalecimento de parcerias internacionais”.
“Por essa razão, gostaria de partilhar convosco a reafirmação do Presidente João Lourenço, da necessidade manifestada na abertura da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, realizada em El Alamein, no Egipto, em 3 de Outubro de 2026, da manutenção da “coerência da nossa arquitectura continental, devendo a Comissão da União Africana, a AUDA-NEPAD, as Comunidades Económicas Regionais e os Estados-Membros actuar de forma complementar e com um foco comum na concretização dos grandes objectivos de desenvolvimento do continente africano”, sublinhou ao dirigir-se aos participantes do 4º Fórum de Negócios África-Portugal.
Prosseguindo, a Embaixadora Maria de Jesus Ferreira referiu que “esta orientação visa o reforço da cooperação económica e da actividade empresarial. Significa que as prioridades continentais, os programas regionais e as políticas nacionais devem reforçar-se mutuamente, criando melhores condições para preparar projectos, mobilizar financiamento e concretizar investimentos”.
“O modelo de integração africana assenta nessa articulação. A Comissão da União Africana contribui para a coordenação das políticas e para o acompanhamento das decisões continentais. A AUDA-NEPAD, enquanto Agência de Desenvolvimento da União Africana, apoia a preparação e a execução de programas e projectos prioritários, a mobilização de recursos e o fortalecimento das capacidades técnicas.
As Comunidades Económicas Regionais promovem a aproximação entre os países e constituem pilares da integração continental. Aos Estados-Membros cabe traduzir os compromissos comuns em medidas, investimentos e condições de execução nos respectivos territórios”, adiantou.
No seguimento da sua intervenção, a diplomata sublinhou que pPara os empresários e investidores, esta complementaridade deve traduzir-se em maior clareza sobre as prioridades, melhor coordenação entre instituições e maior previsibilidade na concretização dos projectos. Para os nossos países, deve permitir a utilização mais eficaz dos recursos e uma ligação mais forte entre investimento e desenvolvimento”.
Segundo a Embaixadora Maria de Jesus Ferreira, “a Agenda 2063 oferece uma orientação comum para este esforço. A Zona de Comércio Livre Continental Africana constitui um instrumento fundamental para aproximar mercados e ampliar as oportunidades de produção e comércio. A sua concretização exige que os compromissos comerciais sejam acompanhados por infra- estruturas, capacidade produtiva e cooperação entre os países.
Para uma empresa, a integração ganha expressão quando consegue adquirir matérias-primas, contratar serviços, transportar produtos e alcançar clientes em diferentes mercados africanos. Para um produtor, torna-se efectiva quando dispõe de energia, armazenagem, logística e condições para transformar e comercializar a sua produção.
Para os jovens, adquire significado quando se traduz em formação, emprego qualificado e oportunidades de iniciativa empresarial”.
“É neste sentido que a coerência da arquitectura continental interessa directamente a este Fórum. Um investimento industrial precisa de ser acompanhado por soluções de energia, transporte e qualificação profissional. Um projecto agrícola beneficia da articulação com a transformação alimentar, a conservação e o acesso aos mercados.
Uma infra-estrutura transfronteiriça exige coordenação entre os Estados e continuidade nas decisões que permitem o seu funcionamento”, prosseguiu, recordando que “no discurso de abertura da 39.ª Sessão Ordinária da Conferência da União Africana, em Adis Abeba, no passado dia 14 de Fevereiro, o Presidente João Lourenço destacou precisamente a importância de articular as estratégias nacionais, regionais e continentais e de
desenvolver as infra-estruturas necessárias para ligar os povos e os mercados africanos.
O Corredor do Lobito, referido pelo Chefe de Estado, permite ilustrar esta orientação. A sua vocação de ligação regional deve estimular oportunidades de investimento na logística, na produção, na transformação e nos serviços. O seu contributo para o desenvolvimento será tanto maior quanto mais conseguir estabelecer relações económicas duradouras”.
A Embaixadora Maria de Jesus Ferreira salientou que “é neste horizonte que situamos a cooperação entre África e Portugal. Convidamos as empresas portuguesas e africanas a desenvolver parcerias que articulem conhecimento dos mercados, capacidade técnica, financiamento e iniciativa empresarial. Interessa-nos promover projectos que valorizem a produção local, incorporem fornecedores africanos, desenvolvam competências e ampliem a participação das nossas economias nas cadeias de valor. As áreas em debate neste Fórum — das infra-estruturas à energia, da agricultura à indústria, da logística à transformação digital — oferecem espaço para essa cooperação.
Cabe aos encontros empresariais identificar parceiros e transformar o interesse manifestado em propostas concretas, com responsabilidades definidas e condições de execução devidamente avaliadas”.
Para a Embaixadora Maria de Jesus Ferreira, “a coerência que defendemos no plano continental deve encontrar correspondência na forma como construímos essas parcerias: projectos alinhados com as prioridades dos países, articulados com as oportunidades regionais e capazes de produzir benefícios económicos e sociais duradouros. O financiamento é parte essencial deste esforço. O Presidente João Lourenço tem defendido uma maior responsabilidade africana na sustentação das instituições de desenvolvimento. Essa participação reforça a capacidade de definir prioridades, preparar projectos e cooperar com os parceiros internacionais em torno de objectivos assumidos pelo próprio continente.
De acordo com a Embaixadora Maria de Jesus Ferreira, “a confiança na capacidade dos países africanos para encontrarem soluções em conjunto exprime-se também neste domínio: na mobilização das suas instituições, das suas empresas e dos seus recursos, em cooperação com parceiros que partilhem uma perspectiva de benefício mútuo. A integração económica exige igualmente paz, estabilidade e confiança. A capacidade de prevenir e resolver conflitos, fortalecer as instituições e assegurar continuidade aos compromissos assumidos é indispensável para que o investimento possa produzir os seus resultados. Esta relação entre paz e desenvolvimento ocupa
um lugar central na orientação reafirmada pelo Presidente da República de Angola. Em Adis Abeba, o Presidente João Lourenço sintetizou essa responsabilidade nas seguintes palavras: “O que se exige é coerência na acção,
responsabilidade na implementação e solidariedade entre os nossos Estados”.
“Em nome do Presidente João Lourenço, reafirmo esta orientação perante este Fórum e sublinho a importância do contributo dos empresários e investidores para a sua concretização. Façamos deste encontro uma oportunidade para aproximar capacidades, estruturar projectos e estabelecer compromissos de cooperação que possam ser acompanhados e concretizados. Que as relações entre África e Portugal contribuam para economias mais produtivas, mercados mais ligados e melhores oportunidades para os nossos povos”, concluiu.










