15 de September, 2026
#Angola

Espólio literário da Doutora Ana Jacinto reforça acervo da Casa de Angola na Bahia

O Centro de Estudos e Documentação António Agostinho Neto, da Casa de Angola na Bahia, acaba de reforçar o seu acervo com a doação do espólio literário da investigadora angolana Doutora Ana Luzia Pires Lobo Jacinto, num gesto que contribui para a preservação da memória histórica e cultural de Angola no Brasil.

Reunido ao longo de vários anos em Salvador, o espólio passa agora a estar à disposição de estudantes, investigadores, professores, futuros formandos e do público em geral, criando novas possibilidades de consulta, pesquisa e produção de conhecimento sobre Angola e sobre as relações históricas entre Angola, o Brasil e outros espaços da lusofonia.

Natural de Luanda, Ana Jacinto possui uma sólida trajectória académica. É Doutora em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Mestre em Ensino de História de Angola pela Universidade Agostinho Neto (UAN). Exerce igualmente actividade docente no ISCED/Luanda e é autora de diversos artigos científicos e capítulos de livros.

Entre os seus trabalhos de investigação destaca-se a tese “Recrutamento e exportação de mão de obra de Angola para as roças de São Tomé e Príncipe: factos, narrativas e memórias (1875-1915)”, dedicada ao estudo de processos históricos relacionados com o recrutamento e a circulação de trabalhadores angolanos para São Tomé e Príncipe.

A entrega do espólio contou com o acompanhamento do Dr. Adilson Eduardo Gomes, angolano, licenciado em Humanidades e estudante de Pedagogia na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), que também desenvolve actividade artística como cantor e compositor.

O Adido Cultural da Embaixada de Angola no Brasil e Director da Casa de Angola na Bahia, Luandino Carvalho, manifestou o seu agradecimento à investigadora pela iniciativa, considerando que a doação representa um contributo significativo para o fortalecimento do Centro de Estudos e Documentação António Agostinho Neto.

«“São estes pequenos grandes gestos que enriquecem o acervo do nosso Centro de Estudos e Documentação, cumprindo exactamente o propósito de servir a comunidade angolana e todos os visitantes que procuram conhecimento na nossa Casa”, destacou Luandino Carvalho.»

A iniciativa representa, assim, mais do que a transferência de um conjunto de livros e documentos: constitui um acto de preservação da memória e de transmissão do conhecimento, permitindo que novas gerações tenham acesso a fontes produzidas e reunidas por investigadores angolanos.

Para a comunidade académica e cultural, o novo acervo poderá tornar-se uma importante fonte de consulta para pesquisas relacionadas com a história, identidade, cultura, diáspora e relações entre Angola e o Brasil.

A Casa de Angola na Bahia, através do seu Centro de Estudos e Documentação António Agostinho Neto, reafirma, desta forma, o seu papel enquanto espaço de promoção da cultura angolana, preservação da memória e aproximação entre Angola e o Brasil.