Ministro da Indústria e Comércio preside a jantar de negócios com empresários angolanos e chineses em Shanghai
O Ministro da Indústria e Comercio, Rui Miguêns de Oliveira, presidiu neste sábado, 07 de Novembro, no centro de Shanghai, um jantar de negócios que reuniu cerca de 400 empresários angolanos e chineses, no âmbito do reforço das relações bilaterais e à margem da nona edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE-2026), inaugurada na passada quinta-feira, e que se vai prolongar até ao dia 10 do corrente mês, com a participação de cerca de 4.142 expositores do exterior.
Mais de 480 produtos fizeram a sua estreia mundial durante o evento na China, expostos numa área de exposição total de mais de 440 mil metros quadrados, o maior da história do país.
O jantar organizado pela Câmara de Comércio Angola-China, Ministério da Indústria e Comércio e Embaixada da República de Angola, na República Popular da China, serviu também de palco de networking para todos os empresários angolanos e chineses.
A inauguração do jantar de negócios coube ao ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, tendo destacado que Angola foi, durante duas décadas, o maior devedor africano da China, porém, Angola honrou os seus compromissos. Acrescentou que só em 2025 os angolanos reduziram a sua dívida junto da China, em cerca de 13 mil milhões de dólares, um esforço de reembolso antecipado que poucos países em desenvolvimento conseguiram realizar.
Por este facto, o governante propôs ao empresariado chinês uma nova fase e sublinhou que durante 20 anos a relação Angola–China foi uma relação de crédito. Nos próximos 20 anos, disse o ministro, tem de ser uma relação de capital, ou seja, menos empréstimo, mais investimento directo, menos obra pública, mais fábrica privada, menos barril de petróleo exportado, mais produto transformado, pelo que Angola, já não pede à China apenas financiamento, Angola convida os empresários chineses a serem accionistas do seu crescimento.
Rui Miguêns de Oliveira convidou, ainda, o empresariado chinês a investir em Angola, recordando que os convites têm contra-partidas, sendo o primeiro, a Lei de Investimento Privado que não exige sócio local, nem montante mínimo, salientando que o capital dos chineses é apenas dos chineses e que os lucros são repatriáveis, e a propriedade privada está constitucionalmente protegida.
O Ministro expressou que através da AIPEX, – Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações, os investidores têm um balcão exclusivo, com interlocutores que falam mandarim e prazos de resposta assumidos, ao mesmo que Angola, está a simplificar licenciamentos, a digitalizar procedimentos e a alargar as zonas económicas especiais, com infra-estruturas prontas e regimes fiscais competitivos para a indústria transformadora.
Rui Miguêns de Oliveira, disse que durante muito tempo a relação entre África e os seus parceiros foi descrita com uma palavra: extração. Extraía-se o minério, extraía-se o crude, extraía-se o algodão e o valor acrescentado era criado noutro continente. Disse que Angola quer romper com esse ciclo, assegurando que quer rompê-lo com a China, não contra a China. Por isso, pediu três coisas que considerou valerem tanto quanto o capital da China. Pediu que tragam tecnologia, formem quadros angolanos e integrem fornecedores angolanos nas cadeias de valor chinesa.
O Ministro referiu que uma fábrica chinesa em Angola, que emprega angolanos, que compra a agricultores angolanos, e que exporta produtos angolanos, não é uma concessão que nos fazem, é o negócio mais rentável e mais duradouro que podem construir em África — porque terá, do lado angolano, um povo inteiro interessado em defendê- lo.
EMBAIXADORA DE ANGOLA NA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA QUER EMPRESÁRIOS CHINESES A INVESTIREM EM ANGOLA
Antes, do Ministro da Indústria e Comércio a Embaixadora da República de Angola na República Popular da China, Dalva Ringote Allen, tomou da palavra e convidou todos os empresários e homens de negócios chineses a investirem em Angola, um país estável, seguro e de muitas oportunidades.
Dalva Ringote Allen, disse que todos os empresários e homems de negócios chineses, que pretendam investir em Angola, encontrarão uma embaixada muito empenhada, em Pequim, e no Consulado-Geral de Guangzhou.
Dalva Ringote Allen afirmou que as equipas da Embaixada e do Consulado-Geral estão à disposição para facilitar contactos, identificar parceiros credíveis, acompanhar missões empresariais e contribuir para a resolução de eventuais constrangimentos.
A Embaixadora vincou que não nos é possível garantir que todas as dificuldades se dissipem por decreto, assegurando, porém, que nenhuma solicitação ficará sem resposta.
A chefe da Missão angolana na China considerou de extremamente importante que Angola, necessita de investimento privado produtivo que se fixe no território, crie capacidade instalada, qualifique o emprego e produza bens com valor acrescentado, valorizando o conteúdo local e os fornecedores angolanos.
Disse que é esse investimento — e não apenas o volume de capital — que determina o êxito da cooperação Angola-China e a sua sustentabilidade a longo prazo.
PREMIADOS
No jantar de negócios foram premiados sete patrocinadores pela participação na nona edição da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE-2026), ocasião em que foi lançada a segunda edição da Revista Angola-China, propriedade da Câmara do Comércio Angola-China e assinado o Memorando de Cooperação entre a Kingang Heavy Industry Automobile Manufacturing Co. e o Centro de Fabricação de Angola.
Vídeos institucionais que retratam as diferentes activdades de algumas empresas chinesas e angolanas, foram exibidos e ao mesmo tempo foi realizado um leilão de peças de artesanato retratando a rica cultura angolana. Três cidadãos de nacionalidade chinesa, arrebataram o leilão cujo valor vai servir para ajudar centros de caridade em Angola.










